Wednesday, June 14, 2006

OS PORTAIS DO INFERNO - CAPÍTULO QUARTO: SOB SUA PELE


( POR: RONALDO DE OLIVEIRA COSTA)

Quando um ser das trevas renasce na Terra, ele sente uma enorme
necessidade de sugar o sangue ou a alma dos mortais. Foi o que
aconteceu com a sereia. Ela já tinha matado os tubarões em alto-
mar. Mas a sede de sangue que sentia era insaciável. Por isso, teve
de matar a garota e seu namorado. Outro motivo foi que a sereia
necessitava de uma nova forma para caminhar entre os homens e poder
matar aquela que matou seu pai. Por isso, depois de ter matado a
menina evangélica, arrancou sua pele e a colocou por cima da sua.
Agora, disfarçada sob a pele de uma mortal ela caminha na direção que
a pedra, presa em sua cintura na alça da calcinha, determina.
Aquela maldita está por perto! Pensa a sereia enquanto caminha com
pernas mortais. Em breve, eu terei a minha vingança! Ela matou meu
criador! Aquele que, em meio ao meu sofrimento, me criou, me refez
poderosa e imortal! Ela vai pagar por ter destruído meu pai! Ah, se
vai!
Ela ainda se lembra de seu renascimento. Da dor que sentiu enquanto
o demônio remexia o caldeirão cheio de fogo. Do deslumbramento que
veio após a dor. Ela era linda, um ser magnífico, cheio de beleza,
capaz de atrair os mortais para a mais ardilosa das armadilhas. Ela
sentia que o demônio a amava. Que sua criação superou os limites
daquilo que ele desejava conceber. Pena que seu relacionamento durou
tão pouco. Por causa de uma vampira, de uma maldita mulher que lhe
negou a vingança contra um homem que a traiu enquanto ela estava
viva.
Não vou descansar enquanto não destruí-la! Pensa a sereia. Ela verá
do que sou capaz! E implorará de joelhos para que eu não a destrua!
Eu direi "não" rindo da cara dela como fiz com aqueles vagabundos que
me pediam esmolas quando eu saía na rua! Bando de vadios que não
querem procurar emprego! Malditos pobres!
Perto dali, uma família é assaltada em um arrastão. Os marginais
armados de paús ameaçam bater na filha mais nova do casal.
- Não! Por favor! Eu dou o que vocês quiserem, mas não façam mal a
minha filha!
- Então, passa os celular prá cá!
- Mas eles estão no carro! Se você nos desse tempo para...
O homem leva uma paulada no rosto.
- Meu amor!
A mulher se abraça ao marido enquanto o sangue escorre da testa deste.
- Se você pensar em chamar a polícia, eu ferro com tua mulher e com
teus filhos!
- Ei, cara, olha só aquilo!
Os marginais desviam a atenção para a sereia que passa, com a pedra
amarrada na calcinha.
- Aquela pedra deve valer uma nota, mermão!
- Vai lá pegar ela, então!
- Vai você que eu não sou seu pau mandado!
- Então fica aqui tomando conta deles! Um movimento e pode matar
esses Zé-manés!
O bando era formado por seis homens. A família era o casal, um filho
de oito anos e uma filhinha de cinco. Um dos marginais caminha na
direção da sereia.
- Passa a pedra prá cá!
Ela escuta o marginal e virá-se na direção dele.
- O que você disse?!
- Eu mandei passar a pedra prá cá!
- Ora, seu crioulo, vá se ferrar!
O homem tenta acertar uma paulada no rosto da sereia. Esta agarra o
porrete com os dentes e arranca um pedaço deste.
- Que?!
A sereia morde o pescoço do marginal e começa a sugar seu sangue. Os
outros cinco bandidos vêem o sangue escorrendo do bandido e correm na
direção dos dois. Um deles enfia uma faca nas costas da sereia.
- Iahhh...
Ela solta o cadáver do marginal e em seguida, crava as unhas da mão
direita no rosto do bandido que a tinha esfaqueado. Nesse momento,
os outros quatro marginais recuam. A sereia arranca o rosto do
marginal e este cai morto.
- Meu Deus do Céu!
- Vambora, galera!
- Nossa!
- Não pode ser!
O casal e seus filhos correm para o carro e conseguem fugir.
Os quatro bandidos tentam fugir. Ela não precisa correr. Com um
pensamento, uma onda gigantesca os atinge e os puxa para o mar. Eles
começam a gritar em desespero. A água entra pela boca, pelas narinas
e pelos ouvidos e os marginais morrem afogados. Todos eles, menos
um.
Quando a onda passa, ele é arrastado de volta para a areia da praia,
inconsciente. Sem respirar, o bandido acredita que vai morrer. É
quando ele sente a língua entrar em sua boca e um sopro penetrar em
seu corpo.
O bandido acorda tossindo.
- Obrigado! Obrigado! Obrigado! Obrigado!
Sem ver a pessoa que o tinha salvado, o marginal agradece sua
benfeitora.
Quando tira a água do rosto e olha para cima, o que vê é a última e
mais aterradora imagem de sua vida. A sereia, com os dentes de
vampiro para fora e olhos vermelhos.
- Não! Não! Não! Não! Não!
Ela enfia a língua novamente na boca do marginal e, em seguida, com
os dentes, começa a arrancar a pele do corpo.

***

Início da tarde. Tiroteio na cidade.
Um carro em alta velocidade corre pelas ruas de Ipanema. Os
transeuntes correm apavorados com medo de sofrerem algum acidente. O
ladrão, ao volante, não se importa com as vidas dos infelizes que
passam pelo seu caminho. Nas viaturas atrás dele, os policiais
berram para ele encostar o veículo. Ele não obedece e ainda atira
para trás.
Um dos tiros acerta o pára-brisa de uma das viaturas que explode em
milhares de cacos de vidro.
- Eu não tenho medo de morrer, seus cagões! Iah!
O ladrão grita enquanto atira para trás e corre a mais de cem
quilômetros por hora. Os policiais atiram de volta ao mesmo tempo
que tentam se desviar dos disparos. Num cruzamento, o carro bate em
alta velocidade contra um outro veículo quebrando faróis e pára-
choques. Mas continua em frente.
Os policiais, por sua vez, perseguem o veículo enquanto atiram nele.
O ladrão devolve os tiros, mas perde o controle do carro. Um dos
tiros dos policiais acerta-lhe o pneu traseiro esquerdo e o veículo
derrapa. Perto dali, em uma banca de jornal, o jornaleiro, ao prever
o desastre, corre para se proteger antes que a batida ocorra. O
impacto foi tão forte que derrubou a banca, espalhando revistas e
jornais pelo chão.
Perdidos em meio à gasolina que pinga do motor do veículo, encontram-
se retratos da vida moderna. Computadores, carros, celulares,
mulheres bonitas, pessoas da alta sociedade, personagens de histórias
em quadrinhos, bandidos. Tudo. Toda a vida. Toda a intensidade do
mundo está à mostra nas revistas e jornais caídos sobre a gasolina.
As viaturas param em frente ao carro. Os policiais saem dos veículos
de armas em punho.
- Saia com as mãos prá cima e jogue a arma no chão!
O ladrão sai de dentro do carro berrando e com a arma em punho.
- Eu não tenho medo de morrer! Eu não tenho medo de morrer!
- Joga a arma no chão! Joga a arma no chão! Joga a arma no chão!
- Atira! Atira! Atira!
- Joga a arma no chão! Joga a arma no chão! No chão!
- Atirem! Atirem! Anda! Eu fiz pacto com o diabo e sei que não vou
morrer!
- Joga a arma no chão! Joga a arma no chão! Joga a arma no chão!
- Vão se ferrar!
O ladrão atira contra o farol de uma das viaturas quebrando-o. Os
policiais, ao mesmo tempo, atiram contra o bandido. As pernas, a
barriga e os braços explodem em sangue. O marginal cai de barriga
para cima.
Os policiais se aproximam do bandido. Uma poça de sangue se forma ao
redor deste. O sangue mistura-se à gasolina. E quando dois dos
guardas chegam mais perto:
- Para sempre diabo!
O marginal ergue uma das mãos. Nela, há um isqueiro. Ele o acende e
o joga na gasolina. O carro e a banca de jornal explodem. A bola de
fogo que se forma acerta em cheio o marginal e os dois policiais.

***

Três horas depois.
Os bombeiros demoram duas horas para apagarem o incêndio.
- Joga água mais prá aquele lado!
- Não! Mais prá este!
- Cuidado, cara! Você está quase no epicentro do incêndio!
- Tudo bem! Tudo bem! Eu tô legal!
- Temos de apagar logo o fogo antes que ele se espalhe!
- Tirem todo e qualquer papel de perto do fogo! Os jornais e as
revistas estão muito juntos! Se pegarem fogo, pode acontecer um
desastre!
Os bombeiros se esforçam. Lutam para conter as chamas. Mas, onde um
foco é apagado, outro ressurge com o contato das folhas de papel com
a gasolina.
Em meio às chamas, um ser começa a arrancar a pele de si mesmo quando
um forte jato d`água atinge seu corpo.
- Eu achei um sobrevivente!
- Impossível!
- Não! Há uma pessoa viva! Eu vou tirar os escombros para ver
melhor!
O bombeiro tira os escombros do caminho até chegar ao corpo. Então,
em meio à água que cai das mangueiras, ele vê a sereia, deitada de
barriga para cima, dormindo, tentando respirar. Ela não pode
respirar fora d`água se não tiver um corpo como hospedeiro. O
bombeiro fica boquiaberto tamanha é a beleza daquela mulher nua. A
boca dela, seus cabelos, seus seios são um espetáculo de beleza que é
impossível de resistir. Ele beija então aquela boca. Os pingos de
água que caem no rosto da sereia transmitem o ar que ela necessita
para respirar. Então, ela sente a língua dele em sua boca, em seu
queixo, em seu pescoço. Os dedos das mãos acariciando os bicos de
seus seios. Os corpos molhados pela água no meio da rua começam a se
beijar.
O bombeiro abre a barguilha da calça mas, quando já ia meter nela, o
homem percebe um rabo de peixe naquela linda mulher.
- Mas o que?!
- Iahh!
A fera ergue a coluna e morde o pescoço do bombeiro. Pingos de
sangue caem na mistura da água com a gasolina. E, em meio aos
pequenos chuviscos emitidos pelas mangueiras, a sereia chupa o sangue
do bombeiro e depois começa a arrancar sua carne.

***

Com o que uma mulher sonha?! Com milhares de homens ao seu redor
para que lhe dêem prazer?! Ou com o amor eterno de um só homem com
quem ela irá se casar e ter filhos?! Seja como for, nenhuma dessas
imagens invade a mente da prostituta nesse momento! Ela vê uma
mansão luxuosa, repleta de empregados, onde ela manda e desmanda!
Uma casa situada no céu, acima das nuvens!
Uma construção feita de mármore, com um piso lindíssimo. Ao redor do
palacete, garças voam e a brancura desses animais dá uma ótima
combinação com as nuvens que cercam o lugar. Dentro da mansão, os
mais belos móveis já vistos. E a casa era gigantesca por dentro, com
vários quartos, banheiros, salas e cozinhas. Nesse lugar, a
prostituta não vende mais o corpo. Nesse lugar, ela dá as ordens,
maltratando os empregados, tratando-os como se fossem lixo. Faz com
eles o que outros fizeram com ela no passado.
E é maravilhoso sentir esse poder nas mãos. Sentir-se poderosa,
acima de toda a miséria e pobreza que imperam no mundo.
Mas aí a prostituta acorda num minúsculo quarto, na cama que outrora
foi dela e de seu ex-marido. Ela se levanta e vai até a cozinha.
Nela, não há a comida suculenta que existia no sonho. Só pão,
manteiga e água.
- Oi, amor, acordou tarde!
O desempregado fala depois de dar uma mordida num dos pães.
- Senta! Vem comer comigo como fazíamos antes!
- Eu nunca vou comer com você, está me ouvindo?! Será que você não
se esforça para me agradar?! Acha mesmo que quero continuar essa vida
de pobre com você?!
- Mas eu estou desempregado! O que você quer que eu faça?!
- Que você seja meu cafetão!
- Não!
- Mas eu ganho muito dinheiro na rua, meu amor!
- Não! Você foi quase morta ontem à noite! E eu não quero... não
quero que você se arrisque por mim!
Ela pega um pedaço do pão que o ex-marido comia e diz:
- E quem disse que é por você, seu idiota?!
- Mas... como assim?! Ontem à noite nós dois... eu achei que...
- Pois achou errado! Eu estava apavorada e precisava da segurança de
um homem! Achei que tinha encontrado essa segurança em você! Mas
estava errada! Você não é um homem! É um desempregado! Um
perdedor! Um fracassado!
O desempregado se levanta encarando a ex-mulher.
- Mas ainda sou um homem honesto!
- E aonde essa sua honestidade te levou, seu imbecil?! Você ficou
vinte anos trabalhando naquela firma e eles te demitiram como se você
não fosse nada! Se você soubesse quanto dinheiro eu já ganhei dando
o meu corpo para os homens...
- E aonde está esse dinheiro agora, hem?! Você voltou para esta casa
fugindo, com uma mão na frente e outra atrás!
- Porque eu não sei economizar dinheiro! Mas você... você é tão
poupador, tão seguro nas finanças! É por isso que eu preciso de você
e você precisa de mim! Eu te ajudo com o meu corpo... e você com a
sua inteligência!
- Não! Você é minha mulher! E não vou deixar que venda o seu corpo
para nos sustentar! Posso até ser um desempregado! Um perdedor como
você mesma fala... mas ainda tenho a minha dignidade!
Ele caminha em direção à sala. Desempregado e prostituta conversam
um de costas para o outro. Acima do prédio, na laje, a vampira
acorda. Os olhos vermelhos vibram. A fome. A necessidade do sangue
eterno invade o corpo satânico.
- Quando você terminar de comer, pode ir embora! Este apartamento é
meu e eu não quero continuar vivendo com uma... com uma... com uma...
- Tudo bem! Eu vou embora! Não se sabe mesmo até quando você vai
pagar o aluguel desse apartamento!
Ela caminha com ar debochado até a cozinha. Súbito, pelo vasculhante
aberto, um morcego entra no apartamento.
- Ahhh...
A prostituta se assusta com o animal e bate com uma frigideira nele.
O morcego cai perto do lixo.
- Ai, meu Deus! Ai, meu Deus!
- Mas o que foi?! O que aconteceu?!
- É ela! A vampira! Ela veio me pegar! Oh, meu Deus! Oh, meu Deus!
- Será possível que, além de se tornar mulher da noite, você também
se tornou viciada em drogas?!
- Não! Eu juro! Eu vi! Era uma vampira!
- Então você está louca!
- Não! Eu... Aiii...
- Meu Deus!
A vampira ataca a prostituta por trás mordendo-lhe o pescoço. O
desempregado vê a criatura das trevas tentar matar seu amor, a mulher
que ele ainda ama e ainda sonha em reconquistar.
- Não! Meu amor! Não!
Ele pega a frigideira e bate na cabeça da vampira. Esta cai.
- Ai! Ai! Ai!
A prostituta geme de dor enquanto o sangue escorre pela garganta.
- Meu amor, fique calma! Eu vou chamar um médico! Fique calma!
- Ai, dói muito! Ai! Por que... Por que você me salvou?!
- Porque eu ainda a amo! Amo muito! Agora precisamos ir a um médico!
- Não! Espere! Ai! Me beije!
- Mas não é hora e nem lugar! Você precisa de ajuda!
- Me beije!
A prostituta agarra o desempregado e o beija.
- Você sempre esteve do meu lado! Sempre me acolheu nos momentos
mais difíceis... Ai!
- Meu amor, não se esforce!
- Eu tenho que te dizer... Ai! Antes de morrer...
- Não fale assim!
- Não! Eu sei que vou morrer! Por isso... Ai! Por isso, preciso te
dizer...
- Você não vai morrer! Você não vai morrer! Eu não vou deixar! Eu
não vou deixar!
- Eu... sinto o meu corpo esfriar! Deus, como está frio!
- Vamos! Vamos a um médico!
- Eu te amo!
O desempregado, que arrastava a prostituta até a porta da sala, pára
ao ouvir tais palavras. Os olhares de um e de outro então se cruzam.
- Você... O que você disse?!
- Eu amo você! Sempre te amei desde o primeiro dia que nos vimos!
- Mas você teve tantos homens ao seu dispor! Tantos foram aqueles
que disputaram o seu corpo e o seu coração!
- Mas foi só com você que eu me casei! E sabe por que?! Porque só
com você eu planejava ficar a vida inteira juntos! Só com você eu
planejava ter filhos! Só com você eu desejava dar meu corpo... e o
meu coração!
Os dois se beijam mais uma vez.
- Sei que você já está cansada de ouvir isso! Mas eu te amo!
- Eu nunca me canso de ouvir essas palavras do homem que eu amo!
- Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo!
- Tolo!
- Não!
A vampira morde o pulso do desempregado. A prostituta cai e morre.
- Não! Não! Não!
- Não resista, mortal! Já que amava tanto essa vadia, irá se juntar
a ela... no Inferno!
A dor cede lugar à ira.
- Ela não era vadia! Ela não era vadia! Ela não era vadia! Ela não
era vadia!
O desempregado, no auge de sua revolta, esbofeteia a vampira jogando-
a no chão. Quando a criatura cai, a pedra em seu bolso quebra em mil
estilhaços. O desespero então toma conta da vampira.
- Não! Não! Não! Nãoooo...
Os gritos da vampira assustam o desempregado.
- O que você fez?! Ela fala enquanto colhe os pedaços da pedra. O
que você fez?! Eu não posso sair de dia sem a pedra! Agora estou
presa para sempre na escuridão das trevas! O que você fez?!
Maldito! O que você fez?!
A vampira joga um dos estilhaços da pedra na direção do
desempregado. O caco, pontiagudo, atinge a testa do homem. O sangue
escorre pela cabeça do desempregado em direção à garganta. E ele cai
morto.
- Maldito! Grita a vampira se levantando. Amaldiçoado seja você que
me aprisionou nas trevas! E agora?! E agora, meu Deus?! Ainda é
dia e eu não posso sair daqui! Os raios do sol de lá de fora vão me
matar! Não! Não! Não! Eu ainda quero ver... preciso ver a luz do
sol!
A vampira se vira na direção da janela da sala. Ela se aproxima da
janela. Os movimentos são lentos. Ela toca na cortina que impede a
entrada da luz. Num primeiro momento, a vampira puxa uma parte da
cortina e imediatamente um dos raios do sol queima sua mão.
- Ai!
Ela coloca a cortina de volta e fica gemendo de dor.
- Ai! Ai! Ai! Ai! Ai, minha mão! Ai! Ai! Ai! Aiiiii...
- Ai!
E então, ela escuta a voz, poderosa como um trovão e se vira na
direção da mais abominável criatura já vista.

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