Tuesday, June 13, 2006

OS PORTAIS DO INFERNO - CAPÍTULO TERCEIRO: QUE O MAIS FORTE SOBREVIVA


( POR: RONALDO DE OLIVEIRA COSTA )
O homem e a mulher se entregam ao amor. Carentes pelo desejo, loucos
pelo prazer, eles nem sequer pensam que outrora já se apaixonaram.
Já noivaram e chegaram a se casar na Igreja.
Ele era o homem que ela sempre quis. Honesto. Fiel. Trabalhador.
Ela achava que através daquele homem, uma nova vida poderia ser
construída. Desde a adolescência aquela mulher já tinha se perdido
na prostituição. Não por necessidade, mas sim por prazer. Ela via
as suas colegas vendo novelas e sonhando com histórias de amor e
ficava enojada. Aquilo para ela era uma fantasia, algo fora da
realidade. Para ela, o que importava era o prazer, o desejo. E, se
ela podia ganhar um dinheiro em cima do prazer, por que não
aproveitar a oportunidade?!
E sua clientela era seleta. Ela só se entregava aos homens que
desejava. Que ela queria. Os mais musculosos, os mais bonitos
acabavam sempre caindo no seu leito. Até que aquele jovem apaixonado
surgiu em sua vida e ela achou o seu amor tão bonito que por um
instante, considerou que também estava apaixonada por ele. E foi
assim que os dois se casaram na igreja. Ela se casou de véu e
grinalda como a virgem pura que seus pais achavam que a mulher era.
Eles não sabiam que aquela jovem já tinha até transado com dois
homens de uma só vez, um atrás e outro na frente.
O seu marido, por outro lado, era um homem honesto, trabalhador e,
acima de tudo, apaixonado por ela. Juntos eles construíram uma casa,
sonharam com um lar, em ter filhos. Mas o dinheiro do salário dele
era muito parco e eles acabaram morando em um prédio, tendo que pagar
aluguel e as demais contas do mês, passando necessidades com as quais
ela não estava acostumada. E foi assim que a mulher voltou a se
prostituir. Ele, como um homem honesto, não aceitava aquela situação
que ficou insustentável quando ocorreu sua demissão e ela jogou-lhe
na cara que ganhava melhor como prostituta do que ele como
trabalhador.
A separação foi inevitável. Mas ela sabia que ele ainda a amava.
Por isso, correu de volta para seu marido quando a vampira passou a
persegui-la. Um ser que agora, transformado em morcego, espreita o
quarto onde o casal dorme. Por um instante, uma lembrança, uma
amarga tristeza vai tomando conta daquele ser das trevas enquanto ele
observa o casal dormindo. Uma lembrança de quando ela estava viva.

***

Eu saí de dentro de minha mãe. Há muitos e muitos anos atrás um
homem se apaixonou por essa mulher que eu chamo de mãe. E esse homem
semeou minha vida dentro do corpo dessa mulher. Da mesma maneira que
agora esse garoto, este novo homem por quem me apaixonei está
semeando uma nova semente dentro de mim. Só que essa semente, ao
contrário da que meu pai introduziu em minha mãe, não germinará
graças à camisinha.
Nós não estamos transando para gerar filhos. Mas sim por prazer, por
amor. Os gemidos que eu solto são cada vez mais intensos. Diante de
meu olhos está o rosto de meu amado e eu não paro de beijá-lo
enquanto gemo. O meu corpo sente um prazer intenso nesse momento. A
minha mente viaja com as palavras de meu genitor. Ele dizia que o
sexo só deveria ser praticado depois do casamento. Que o sexo só
servia para criar filhos. Novos seres humanos que continuariam a
linhagem dos velhos. Eu não me sinto velha nos braços de meu amado.
Ao contrário, me sentia nova, livre e solta como uma criança.
Após o ato sexual, nós adormecemos. Na escola, os outros alunos
devem estar escutando as chatices da professora de Física. Já eu
estava distante, distante de tudo aquilo. De todas aquelas fórmulas
matemáticas. De todos aqueles raciocínios tolos que nada tinham a
ver comigo. Eu só pensava em mais carícias, em mais amor, em mais
prazer. O prazer que meu pai insanamente queria ter comigo. O meu
criador me queria como mulher. Quis que eu fosse sua escrava
sexual. Eu não podia. Como eu poderia entregar meu corpo ao homem
que me criou? Ao homem que me ensinou os primeiros passos?
Eu ouço as palavras dele ecoando na minha cabeça. A gente cria um
ser humano, uma criança, ela cresce, se torna adulta e depois quer
decidir sua própria vida. Não quer ficar com a gente. Ser nossa,
toda nossa. Eu te criei, te ensinei a andar, a ler e a escrever. Te
ensinei a amar a Deus, a Cristo e à Virgem Maria, e agora você diz
que ama a outro homem?! Que eu não posso ter você como minha
mulher? Você é minha filha e sempre será só minha para sempre.
- Não, pai! Não! Eu te amo, mas eu não quero que o senhor traia a
minha mãe comigo! Não! Não! Não! Não!
Eu corria dele como se fugisse do próprio demônio. O demônio era o
mesmo homem que me ensinou a amar a Deus. Que me colocou na Igreja.
Que me fez aprender os mandamentos divinos. Talvez tenha sido por
isso que eu fui enviada ao Inferno depois que meu criador me
destruiu. Por ter sido criada pelo diabo.

***

Amar a Deus sobre todas as coisas.
Acima de qualquer tentação se deve amar a Deus. De qualquer prazer,
de qualquer sacrifício. Meu pai me ensinou que o homem que mata pela
fome irá para o Inferno, pois é destino do homem, como criatura
criada por Deus, se sacrificar em nome do Pai. Afinal, se Jesus
Cristo entregou-se na cruz para nos salvar, por que não podemos
morrer de fome em razão de Deus?
Cristo suportou toda a dor dos pecados do homem para salvar a
humanidade. Para me salvar. Sei que estou cometendo um pecado
contra Deus ao me entregar a este homem. Ao meu amor. Mas não
suportei suas carícias, seus beijos, seus abraços. Sei que irei para
o Inferno pelo pecado que cometi. Mas ao sentir a mão dele em meu
rosto, eu sinto o desejo, a vontade.
Eu pequei e sei que irei para o Inferno. Eu sentia a dor enquanto
ele me metia. Gritava de dor, de tormento. E em seguida, sentia o
prazer. A minha bunda se arrastava na areia da praia enquanto eu o
sentia dentro de mim. O prazer era tão intenso que as minhas nádegas
estavam vermelhas de tanto que se esfregavam na areia da praia. A
dor era enorme, mas eu não conseguia contê-lo. Então não parava de
gritar de dor, de prazer, de angústia, à espera de que o líquido
pecaminoso saísse de dentro dele e entrasse na minha vagina.
A essa altura da transa, eu não pensava mais em pecado, em Deus ou no
diabo. Só no prazer. Em meus pensamentos, eu pedia perdão a Cristo
pelo pecado que estava cometendo. Mas não podia mais conter tamanho
prazer, tamanha alegria que tomava conta do meu corpo enquanto meu
amado terminava de me meter.
Eu ainda gritava:
- Vamos terminar isso num quarto! Vamos! Aqui dói muito! A areia
tá toda enfiada no meu rabo!
- Não! Tem que ser aqui! Agora! Você tá inventando essa desculpa
prá não fazer amor comigo!
- Não, meu amor! Não é isso! Mas é que aqui dói muito! Eu tô toda
machucada!
- Não! Isso é assim mesmo meu amor! Você pensa que eu não sei! Eu
tô namorando com você há um ano esperando esse momento de entrega
total! Você diz que não pode! Que seu pai é pastor evangélico e que
ele jamais permitiria! Mas escute bem o que eu vou te dizer! Eu te
amo! Eu quero casar contigo e a gente vai ser muito feliz juntos!
Você tá inventando essa desculpa que tá toda machucada prá não
transar comigo!
- Não, tá machucando mesmo! Ai! Ai! Ai! Ai! Ai! Ai! Ai! Ai!
Ai! Machuca!
E finalmente terminou.
O corpo dele caiu sobre o meu e, cansados, exaustos pelo prazer nós
ador-mecemos dizendo que nos amávamos.

***

As memórias da vampira se chocam com as lembranças de uma jovem
evangélica. Ambas perderam a virgindade na praia. A diferença é
apenas de tempo: dezessete anos. Há dezessete anos, a vampira era
jovem como aquela menina. Era alegre como ela. Apaixonada como
ela. Oprimida como ela.
A diferença é que enquanto a jovem sentia-se oprimida pelo seu voto
de castidade, a vampira, quando mortal, era prisioneira de um pai ao
mesmo tempo autoritário e libertino. Ele a oprimia não em nome de
Cristo, mas sim porque a considerava sua propriedade, que poderia
transformá-la em sua mulher. O seu desejo incestuoso foi o que a
tornou uma vampira. Esta não aceitou aquela situação e lutou contra
seu criador.
Preferiu morrer a trair a mãe. A mesma mãe que amaldiçoa sua alma
por considerar a filha o motivo da separação. Ela não enxergava o
demônio que seu marido tinha se tornado. Jamais acreditaria que o
homem a quem ela dedicou vinte anos de sua vida a trairia com a
menina que saiu de seu ventre.
Por outro lado, a vampira culpa a mãe por não querer enxergar aquela
situação degradante. Se não fosse pelo autoritarismo do pai e pela
cegueira da mãe, ela não teria sido enviada ao Inferno e se tornado
uma vampira. Pelo menos é nisso que a criatura das trevas acredita.
Ela não vê as vezes em que matava aula para transar com o namorado
como ações pecaminosas. Para ela, seu amor era o sentimento mais
puro que já tinha experimentado na vida. Então por que a
condenação? Por quê a danação?
A vampira não sabia explicar. Parecia que Deus não compreendia os
sentimentos envolvidos numa relação sexual anterior ao casamento. A
jovem evangélica ao contrário, compreendia. O ato sexual tinha sido
criado por Deus com fins de procriação. O homem e a mulher devem se
unir com o intuito de dar continuidade à raça humana. E para que o
ato sexual seja abençoado, necessário faz que ele ocorra dentro do
casamento que, antes de tudo, é uma cerimônia cristã.
Assim, a vampira, embora amasse verdadeiramente seu namorado, se
tornou o que é pois cometeu um ato sexual sem a benção de Deus.
Ela vê o casal deitado na cama e pensa no que teria sido seu
casamento com ele. Nos filhos que poderiam ter tido juntos. Ela se
vê ensinando seus filhos a darem os primeiros passos. Ensinando-os a
ler e a escrever. Vê seus filhos crescidos trabalhando, se casando,
tendo outros filhos. A vampira se vê envelhecer ao lado do homem que
amava. Muitas pessoas consideram a velhice como algo feio e
ridículo. Mas aquela vampira daria tudo para envelhecer ao lado do
homem que amava. De que adiantava ela ser imortal se não poderia
amar de novo e ter filhos?!
A vampira sente que não quer matar o casal. Sua fome já tinha sido
saciada horas atrás quando matou a colega da prostituta e seus
comparsas. E pra quê estragar os sonhos desse casal que, após uma
briga, encontrá-se tão unido enquanto dorme?
Acontece que horas se passaram enquanto a vampira revivia os momentos
felizes que tivera com seu amado. Já estava amanhecendo. O morcego
voa até o alto do prédio. Depois de se transformar em vampira, deita
no chão e dorme. Ela estava cansada demais para voar até o seu
caixão. E depois, a lasca da Pedra Filosofal iria protegê-la dos
raios solares, não é mesmo?
Aquela lasca não era a mesma pedra que ela apanhou no Inferno, mas
tinha pertencido a um outro vampiro com quem ela teve relações. Ele
a enganou, fingindo ser um herói quando na verdade era um déspota
ganancioso e mulherengo. Por isso, quando a vampira adormece, ela
segura firmemente a pedra. Ela sente a dor dos raios solares, mas
sua pele não queima. A vampira se encolhe. A magia da pedra a
protege e ela consegue dormir.
Os sonhos e pesadelos não perturbam seu sono. Ela já se acostumou a
eles. Flashes de uma outra vida. O clarão do sol iluminando o
batismo de uma criança. A igreja luxuosa, cheia de pessoas da alta
sociedade. Empresários, senadores, deputados, governadores. A elite
endinheirada estava toda lá. Os pais abraçam a criança como se ela
fosse a promessa de um futuro melhor. A promessa da continuação de
sua riqueza. E de atos que lancem o nome da família nos anais da
História.
E ela vê a criança crescer, estudar e lutar por um futuro melhor para
o seu povo. Vê a criança transformada em homem, falando a uma
multidão de pessoas. Ele promete tirar as crianças das ruas, diz que
é o momento de escorraçar a corja de políticos corruptos da nação. E
que chegou o momento do povo brasileiro ter a dignidade resgatada.
A vampira vê a fé das pessoas nas palavras daquele homem. O mesmo
homem que ela encontrou no Inferno sob a forma de um vampiro. O
mesmo vampiro de quem ela sugou os poderes e a imortalidade.

***

A jovem dorme ao lado do namorado. Ela sabe que pecou. Que traiu
Deus e todos os juramentos que fez por amor a Cristo. Ela se lembra
dos ensinamentos cristãos, da promessa do paraíso, de dias melhores.
Se ela sabia que iria para o Céu, por que trairia Cristo? Será que o
demônio apoderou-se de seu corpo?
Ela se contorce enquanto dorme. A culpa em seu coração é enorme.
Como ela pôde ser tão sem-vergonha? Como ela pôde desonrar os pais
daquela maneira?
- Deus, me perdoe! Me perdoe! Por favor, me perdoe! Faça com que
eu siga seus mandamentos de novo! Por favor, me dê uma chance! Por
favor! Por favor!
Ela chora enquanto dorme.
- Me ajude a superar essa situação! Creio em Deus pai nosso senhor!
Ele me ajudará a trilhar o caminho da luz novamente! Deus me perdoe
e me ajude! Por favor...
A imagem do Inferno surge em sua mente. Ela vê seu corpo caindo num
dos poços de fogo. Tenta sair de dentro dele, mas os diabos a
empurram para dentro espetando-a com tridentes. Os seus gritos são
desesperadores.
- Já que traiu seu deus com o sexo, então que seja devorada pelo
mesmo!
Após essa frase demoníaca, as chamas tornam-se pênis enormes e
começam a penetrá-la na boca, na vagina, no ânus, nos olhos, nos
ouvidos e nas narinas. A dor que ela sente é terrível. O sangue
começa a escorrer de cada parte penetrada.
- Não! Não! Não!
Súbito, o sonho é interrompido por uma voz:
- Parem!
As trevas são invadidas por uma intensa luz. Os diabos se afastam
apavorados. Os pênis derretem. Então, a jovem vê a mãe, a mulher
que lhe deu a vida, iluminada pela luz celestial expulsar as hordas
demoníacas. A garota ajoelha-se perante a genitora.
- Mãe, me perdoe! Eu pequei contra Deus e contra tudo aquilo que a
senhora me ensinou! Me ajude! Diga! Diga que ainda me ama! Diga
que ainda sou sua filha! Diga!
- Sim! Você é e sempre será a minha filha! Não importa o quanto
você agiu errado, minha filha! Eu sempre a protegerei!
A mãe estica as mãos na direção da filha. Esta se levanta e segura
as mãos da genitora. As duas começam a subir na direção da luz. E a
jovem escuta a canção que sua mãe lhe cantava quando ela era criança.
- Feliz aquele que ouve a palavra do Senhor! Confia nele, pois
ele... ele te protegerá... de todos os perigos... e ainda... ainda
que você... caia em tentação... ele... ele te perdoará... por toda a
vida eterna!
- Por toda a vida eterna! Por toda a vida eterna!
Os raios solares atingem em cheio o rosto da garota. Ela acorda,
escuta a frase e fica hipnotizada pela canção. A jovem se ergue, vê
o corpo de seu amado ainda dormindo e tudo lhe vem à memória. Os
beijos, as carícias, as metidas.
Ela fecha os olhos e depois os abre como se fugisse dos pensamentos
pecaminosos. Então, a garota escuta a canção novamente:
- Feliz aquele que ouve a palavra do Senhor! Confia nele, pois
ele... ele te protegerá... de todos os perigos... e ainda... ainda
que você... caia em tentação... ele... ele te perdoará... por toda a
vida eterna!
A voz, diferente da proferida pela mãe, mas tão bela, tão forte como
as ondas do mar ricocheteando nas rochas. A jovem virá-se no direção
das rochas. É de onde vem a canção. As palavras ficam em sua mente,
ecoam dentro do seu cérebro. E, quando a garota encontra a pessoa
que estava cantando, a visão que tem é a mais maravilhosa de toda a
sua vida.

***

Em meio às rochas e às ondas do mar, ela vê um anjo. Não um homem,
mas sim uma mulher. Não um ser com asas, mas metade peixe, metade
mulher. Uma sereia. Uma criatura bela, de olhos azuis, cabelos
loiros e seios fartos. E com uma voz encantadora, a criatura canta,
canta e encanta a menina.
Era como a voz de Deus em seu coração. Então, a jovem se lembra dos
ensinamentos cristãos. Da promessa do paraíso. Um lugar lindo,
cheio de pessoas bonitas e maravilhosas. Bonitas como seu namorado,
que também é cristão. Que também acredita em Deus e que, como ela,
pecou. Mas no homem a culpa do pecado é tão tênue. Na da mulher, ao
contrário, ela é impiedosa. Enquanto que para a garota aquela tinha
sido a primeira vez, o seu namorado já tinha perdido a conta de
quantas vezes já tinha transado.
Pois embora o mandamento de Deus que proíbe o sexo antes do
casamento, devesse ser seguido por todos, só as mulheres o carregam
verdadeiramente em seu coração. Então, aquela imagem fascinante
enchia a garota de alegria. O céu azul, o mar, o sol, as ondas
batendo nas rochas e aquele ser, aquele estranho anjo que cantava e
encantava seu coração.
E sua voz penetrava em sua alma como se fosse a própria voz de Deus.
- Venha para Cristo! Venha adorar a Deus!
- Sim! Sim! Você é um anjo, não é?!
- Sim! E eu vou te levar para o céu!
- Mesmo depois de eu ter pecado?!
- Lógico! Deus perdoa você! Pois Deus sabe que você o ama! E Deus
só quer o bem a todos nós! Agora me dê um abraço e venha comigo para
o reino dos céus!
- Sim! Sim! Sim!
E a garota abraça a sereia.
Nesse momento, sua mente é invadida pela transa da noite passada. As
carícias, os beijos, as metidas, os abraços. Cada vez mais e de
forma mais intensa. Despertando na jovem o desejo, a vontade de
transar.
- Não! Eu amo a Deus! Eu amo a Deus! Mas quero... eu quero... eu
desejo...
- O que você quer, meu anjo?! O que você quer, hem?!
- Eu quero...
A sereia segura a jovem pelo rosto.
- Eu sinto... Eu quero...
- Então venha para mim! Venha para mim!
A garota e a sereia se beijam. A sereia beija a boca da garota, em
seguida, seu queixo e, quando chega no pescoço,... morde a garota e
chupa seu sangue.
- Ai! Não! Não! Ai!
- Sim! Você não queria mais sexo, pois então vai ter mais... muito
mais!
- Ai! Não! Ai! Não! Ai!
A sereia enfia o dedo na vagina da garota e esta goza enquanto o
sangue escorre de seu pescoço. A garota então sorri de alegria
tamanho é o prazer que sente.
- E então?! Gostou?!
- Sim!
- Quer mais?!
- Sim!
- Então tenha todo o sexo que você quiser... no Inferno!
A sereia morde novamente o pescoço da garota e, dessa vez, suga todo
o sangue. Os olhos da menina se fecham e quando se abrem ela está no
Inferno, sendo estuprada por demônios e demônias. O sexo não pára e
ela começa a gritar de dor... por toda a eternidade!

***

Ele acorda e não vê a namorada ao seu lado, mas relaxa.
Ela deve estar se culpando pelo que fizemos ontem à noite. Pensa
ele. Realmente foi uma loucura! Eu não planejava transar com ela!
Era para ela ser a minha noivinha, pura e virginal! Ao contrário das
outras com quem já transei, o que eu sentia por ela ia muito além da
atração! Mas agora que aconteceu, não há o que remediar! Só sei que
quero casar com ela e amá-la para sempre!
O jovem vê a namorada de pé, próxima às rochas. Ele chama por ela,
mas a garota não atende. Os olhos dela estavam fixos no mar, nas
ondas do mar. Ele foi então até o seu encontro.
- Amor, o que houve?
Ela não responde.
- Sei que está triste com o que aconteceu! Sei que pecamos contra
Deus! Você acha que eu não me sinto mal por isso também?! Eu sou
cristão como você e não quero ir pro Inferno por causa do que
aconteceu!
Ela ainda olha fixamente para o mar sem nada responder.
- Olha, pensei muito em tudo o que nós vivemos e cheguei a uma
decisão! Eu quero casar com você!
A jovem olha então para ele.
- É sério! Eu sei que ainda é muito cedo! Temos apenas um ano de
namoro! Mas depois do que aconteceu, sinto que nós nascemos um para
o outro e que Deus vai abençoar a nossa união... O que?
E ele vê. Olhos, barbatanas e rabos de tubarão boiando no mar em
meio a uma enorme mancha de sangue. E, ao lado de sua namorada, um
esqueleto humano.
- Meu Deus!
- Você quer se casar comigo?!
- O que?!
- E o que você vai fazer com as outras garotas...
A namorada se vira na direção do jovem, como olhos vermelhos e dentes
de vampiro.
- ...com quem você me trai, seu desgraçado?!
- Meu Deus!
A jovem morde o pescoço do namorado e começa a chupar seu sangue e a
devorar o seu corpo.

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