A FLORESTA E AS FERAS
( POR: RONALDO DE OLIVEIRA COSTA)
Na floresta, pingos de sangue caem da testa e do braço do negro
ferido. O homem tenta voltar para casa, mas a dor e a fraqueza são
enormes. Com se não bastasse, pingos de chuva caem prenunciando uma
tempestade.
A água cai pesadamente sobre o corpo do homem. Este não agüenta
tamanho esforço e desmaia sobre a grama.
***
Em outra parte da floresta, dois homens armados de arco e flecha
caçam comida para a fazenda Hochfield. Com a destruição das
plantações, a família e os empregados do Barão Hochfield ficaram sem
ter o que comer. A fome fez o Barão ordenar que seus homens
buscassem comida para a sobrevivência.
Um outro ser também caminha pela mata com fome. O sangue verde pinga
do rosto e dos braços da fera. Ele sente a fraqueza. Sabe que tem
que se alimentar.
- Ei, você ouviu alguma coisa?!
- Sim! E veio daquela moita! Acho que vou lá ver o que é!
- E se for um tigre ou um leão?!
- Eu corto ele com a espada e você atira a flecha envenenada contra o
animal!
- Está certo!
- Depois, arrancamos a carcaça e levamos para o almoço! O veneno não
afeta humanos e teremos uma refeição suculenta!
Após estas palavras, o caçador caminha cuidadosamente até a moita.
As folhas começam a se mexer. Ele hesita. Olha para trás e vê seu
colega de arco e flecha em punho. Quando se vira, a fera surge de
boca aberta e morde-lhe o rosto. O híbrido terráqueo-alienígena se
levanta devorando o corpo do caçador.
O ser de olhos negros, pele azulada, dentes e garras afiadas, com dez
metros de altura, assusta o outro caçador. Este atira a flecha
contra a coxa direita do monstro. A fera berra soltando o corpo do
caçador.
- Meu Deus do Céu!
O homem fica apavorado ao ver o corpo do colega. Da cintura para
cima só tinham ossos. Enquanto isso, a criatura tira a flecha da
coxa e luta desesperadamente para expelir o veneno de seu corpo. O
monstro espicha o pênis enorme e mija sobre o outro caçador. A água
quente arranca a carne do homem, sobrando só o seu esqueleto. Com o
veneno expelido através do mijo, a criatura ferida desmaia sobre a
grama enquanto a água da chuva cai sobre ela.
***
- Ah!
O homem negro acorda em uma caverna. Ao seu lado, Rafael coloca
folhas em seu braço e em sua testa a fim de curar seus ferimentos.
- Meu Deus! Onde estou?!
- Calma, irmão! Minha amada o encontrou caído na floresta e, vendo
que seu corpo ainda respirava, resolveu salvá-lo!
- Mas você... estou te reconhecendo! Você é um dos burros! Um
daqueles hipócritas do Padre Olavo que me condenaram a viver na
escravidão!
- Irmão, todos nós fomos enganados pela hipocrisia daquele sacerdote
maldito! Hoje, sei que estávamos errados em seguir o fanatismo
daquele falso homem de Deus!
- Quer dizer então... que você não me condena?!
Rafael pára de medicar o homem negro e o fita seriamente.
- Pois se eu acabei de salvar-lhe a vida!
Rafael se levanta e caminha para fora da caverna.
Este homem é cristão! Pensa o negro com ódio. Depois de anos
vivendo como escravo, finalmente pude aproveitar as orgias num
prostíbulo! E o Padre Olavo me negou a liberdade por causa do meu
pecado! Desgraçado! Maldito! Já que não pude me vingar dele, vou
mandar um dos seus discípulos para o Inferno!
- Você está com fome?! Pergunta Rafael voltando à caverna com uma
cesta de maçãs nos braços.
- Iahhh...
- Não!
O homem, ainda cambaleando por causa da perda de sangue, com a
espada, tenta acertar Rafael. Este se desvia. A cesta cai. A
lâmina faz um corte no braço direito de Rafael.
- Aiii... Ele geme botando a mão no ferimento.
- Cristão maldito! Fala o homem negro apontando a espada contra a
garganta de Rafael. Acha que ligo para sua piedade?! Para o seu
amor a Deus?! Vocês todos não passam dum bando de hipócritas!
- Seu ingrato!
O berro tinha vindo de trás do homem negro. Ele se vira na direção
do grito e vê Daniela na entrada da caverna com uma expressão
sombria. Atrás dela, a chuva e os relâmpagos caíam.
- Você é a Princesa Daniela! Berra o homem negro com raiva. A filha
daquele maldito que perseguia os nossos irmãos negros em Brancalândia!
- Eu não compartilho do racismo de meu pai!
- Mentirosa! Mentirosa! Mentirosa!
- Daniela, tome cuidado! Grita Rafael.
- Então é esta a sua amante?! A filha do homem que perseguiu nossos
irmãos, pais e avós durante décadas! Além de hipócrita, você também
é um traidor e merece morrer!
- Não! Fala Daniela enquanto seus olhos ficam brancos. Você não
ameaçará meu amor!
- E você não dá ordens em mim, desgraçada!
- Daniela, nãooo...
O homem negro parte para cima de Daniela apontando a espada para
ela. Súbito, um forte relâmpago a atinge. Os dois homens negros
ficam petrificados com a cena e os berros de Daniela. Ela fecha os
olhos e depois os abre. Então, raios saem de seus olhos e atingem o
homem negro.
- Iahhh... Grita ele enquanto seu corpo explode em mil pedaços.
O sangue espirra no chão e nas paredes da caverna. Rafael se ajoelha
com o susto. É quando o relâmpago que atingiu Daniela se dissipa.
Naquele momento, os olhos brancos de Daniela fitaram os olhos verdes
de Rafael. Ela se aproxima do amado e toca levemente no ferimento do
negro. Este fica impressionado. O corte cicatriza e pára de
sangrar. Os olhos de Daniela voltam a ser azuis e sua cabeça cai
sobre o peito de Rafael. O negro nada diz. Apenas acaricia a cabeça
de seu amor enquanto ela adormece.
O homem negro acorda em uma caverna. Ao seu lado, Rafael coloca
folhas em seu braço e em sua testa a fim de curar seus ferimentos.
- Meu Deus! Onde estou?!
- Calma, irmão! Minha amada o encontrou caído na floresta e, vendo
que seu corpo ainda respirava, resolveu salvá-lo!
- Mas você... estou te reconhecendo! Você é um dos burros! Um
daqueles hipócritas do Padre Olavo que me condenaram a viver na
escravidão!
- Irmão, todos nós fomos enganados pela hipocrisia daquele sacerdote
maldito! Hoje, sei que estávamos errados em seguir o fanatismo
daquele falso homem de Deus!
- Quer dizer então... que você não me condena?!
Rafael pára de medicar o homem negro e o fita seriamente.
- Pois se eu acabei de salvar-lhe a vida!
Rafael se levanta e caminha para fora da caverna.
Este homem é cristão! Pensa o negro com ódio. Depois de anos
vivendo como escravo, finalmente pude aproveitar as orgias num
prostíbulo! E o Padre Olavo me negou a liberdade por causa do meu
pecado! Desgraçado! Maldito! Já que não pude me vingar dele, vou
mandar um dos seus discípulos para o Inferno!
- Você está com fome?! Pergunta Rafael voltando à caverna com uma
cesta de maçãs nos braços.
- Iahhh...
- Não!
O homem, ainda cambaleando por causa da perda de sangue, com a
espada, tenta acertar Rafael. Este se desvia. A cesta cai. A
lâmina faz um corte no braço direito de Rafael.
- Aiii... Ele geme botando a mão no ferimento.
- Cristão maldito! Fala o homem negro apontando a espada contra a
garganta de Rafael. Acha que ligo para sua piedade?! Para o seu
amor a Deus?! Vocês todos não passam dum bando de hipócritas!
- Seu ingrato!
O berro tinha vindo de trás do homem negro. Ele se vira na direção
do grito e vê Daniela na entrada da caverna com uma expressão
sombria. Atrás dela, a chuva e os relâmpagos caíam.
- Você é a Princesa Daniela! Berra o homem negro com raiva. A filha
daquele maldito que perseguia os nossos irmãos negros em Brancalândia!
- Eu não compartilho do racismo de meu pai!
- Mentirosa! Mentirosa! Mentirosa!
- Daniela, tome cuidado! Grita Rafael.
- Então é esta a sua amante?! A filha do homem que perseguiu nossos
irmãos, pais e avós durante décadas! Além de hipócrita, você também
é um traidor e merece morrer!
- Não! Fala Daniela enquanto seus olhos ficam brancos. Você não
ameaçará meu amor!
- E você não dá ordens em mim, desgraçada!
- Daniela, nãooo...
O homem negro parte para cima de Daniela apontando a espada para
ela. Súbito, um forte relâmpago a atinge. Os dois homens negros
ficam petrificados com a cena e os berros de Daniela. Ela fecha os
olhos e depois os abre. Então, raios saem de seus olhos e atingem o
homem negro.
- Iahhh... Grita ele enquanto seu corpo explode em mil pedaços.
O sangue espirra no chão e nas paredes da caverna. Rafael se ajoelha
com o susto. É quando o relâmpago que atingiu Daniela se dissipa.
Naquele momento, os olhos brancos de Daniela fitaram os olhos verdes
de Rafael. Ela se aproxima do amado e toca levemente no ferimento do
negro. Este fica impressionado. O corte cicatriza e pára de
sangrar. Os olhos de Daniela voltam a ser azuis e sua cabeça cai
sobre o peito de Rafael. O negro nada diz. Apenas acaricia a cabeça
de seu amor enquanto ela adormece.
edição: O PODER DO TROVÃO E DA PAIXÃO

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