Saturday, March 11, 2006

PAIXÕES EM GUERRA

CONTO EM HOMENAGEM À MARINA:
( POR: RONALDO DE OLIVEIRA COSTA )

Numa floresta, situada em um parque ecológico, dois jovens sentam-se em um banco de mármore e começam a namorar. A garota sente os lábios do amado tocarem os seus. A temperatura dos dois corpos aumenta à medida que o jovem acaricia, com as mãos, os seios da menina. Ela sente o calor, a vontade. Então, a boca do namorado congela de repente. Ela abre os olhos e vê o sangue escorrer da boca do amado.
- Ah, meu Deus!
Ela grita afastando-se do namorado. E vê o vampiro abocanhando o pescoço do garoto e sugando-lhe o sangue.
- Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus!
- Calma, menina! Diz o vampiro parando de sugar o sangue do jovem. Em breve, você se unirá ao seu amor... no Inferno!
- Iahhh...A garota grita. É quando um homem de sobretudo salta sobre as costas do nosferato e crava-lhe uma estaca de prata.
- Aiii... Grita o vampiro vomitando sangue.
- Ahhh... Grita a garota apavorada.
- Ei, psiu! Faz o caçador irritado. Pare de gritar e fuja!
A garota obedece o caçador e sai correndo. O vampiro aproveitá-se dessa pausa. Botando os braços para trás, o nosferato agarra o caçador pelo sobretudo e o arremessa, de cabeça para baixo, contra uma árvore.
- Ai! Geme o caçador sentindo a dor das costas baterem na árvore.O vampiro some na noite. O caçador, com a mão nas costas, tenta seguir o rastro de sangue do nosferato. Mas o líquido vermelho escorre da boca do caçador.
- Oh, não! Quebrei as costelas! Tenho de ir a um médico antes que elas perfurem o pulmão! Ai!
O caçador sai do parque. Sua sorte é que havia um hospital público por perto. Ele entra no que parece um matadouro. As pessoas doentes ficam largadas pelo chão do hospital à espera de atendimento. O caçador deitá-se ao lado de uma senhora, que sofre da Doença de Chagas. E presencia o momento em que a pobre mulher morre. Ele fecha os olhos da morta, tira um crucifixo e inicia uma oração.
- Deus, ilumine os caminhos dessa pobre criatura no além-vida! Que ela não conheça o Vale das Sombras, mas sim o Caminho da Luz! E que encontre na morte o consolo que não teve em vida! Amém!
O caçador faz o sinal da cruz e adormece à espera de atendimento.
***
De volta ao parque, em uma cabana há muito esquecida, Natasha aguarda o retorno de seu amor. E ele surge curvado, com as costas e a boca ensangüentadas.
- Roberto! Natasha vai até o seu amado. Roberto cai. Ela vê então a estaca fincada nas costas do vampiro.
- Meu Deus!
- Natasha, acabou!
- Não! Não! Não! Eu não aceito isso!
Ela o leva até a cabana. Dentro desta, em uma velha cadeira de balanço, encontra-se uma lasca da Pedra Filosofal. A famosa jóia tinha se partido em milhares de pedaços na fronteira entre o Céu e o Inferno. Milhares de demônios e vampiros lutaram para obter o seu poder. Tal qual Roberto e Natasha. Os dois eram noivos há quatro anos. Na época do carnaval, foram a várias festas. Namoraram bastante, transaram, enfim se divertiram à beça. Mas, na volta para casa, beberam demais. O acidente de carro foi fatal.
Condenados ao Inferno, por terem transado antes do casamento, os dois noivos foram jogados em um mar de sangue quente.
- Já que a bebida foi a causa de sua morte, então que uma nova bebida lhes dêem a imortalidade!
Após as palavras do demônio, a transformação, profana e dolorosa, ocorre. Os berros de Roberto e Natasha podiam ser ouvidos a quilômetros de distância. Quando a transformação termina, eles saem do mar de fogo totalmente deformados. Os olhos dos dois noivos se cruzam. Apesar da aparência grotesca, eles se reconhecem e se dão as mãos.
- Eu te amo, Natasha! Ele fala enquanto dentes afiados nascem na boca de ambos.
- Eu também, meu querido Roberto! Diz Natasha enquanto a pele de ambos fica pálida.
Então, o inesperado ocorre. A Pedra Filosofal explode em um trilhão de pedaços. Demônios e vampiros esticam os braços para apanhar as lascas. Roberto e Natasha se maravilham com a visão da explosão. O noivo, já transformado em vampiro, vê quando milhares de lascas passam por cima deles. E sente o poder. Ainda segurando a mão de Natasha, Roberto salta em direção às lascas e agarra um dos pedaços.
- Natasha, essa é a nossa saída para casa!
- Não consigo me segurar! Dói muito! Aiii...
- Não, Natasha! Segure-se firme! Vamos, pedra! Vamos!
- Não consigo!
A pedra mergulha, na velocidade de um foguete, num portal mágico.
- Eu posso ver o Cristo Redentor, meu amor! Só mais um pouquinho e nós vamos voltar para casa!
- Eu não consigo, Roberto! Dói muito! Aiii...E Natasha se solta do amado.
- Natasha! Nãooo...Mas é tarde demais. O tranco do teleporte puxa Roberto para dentro do portal. Este se fecha e Natasha cai nas trevas.***Duas horas se passaram e o caçador ainda não tinha sido atendido. O cadáver da senhora ao seu lado fede e ele se vira para o outro lado. Súbito, um pensamento lhe vem à mente enquanto ele mergulha na inconsciência.
Rita!
Rita! Sua esposa, sua amada, seu amor! Uma jovem que sempre teve tudo o que o pai e a mãe ricos sempre lhe deram! Tudo menos amor! Os pais de Rita eram casados para a Alta Sociedade, mas separados na vida íntima. Por causa disso, Rita se tornara alcoólatra. E foi numa das esquinas da vida, bêbada, que ela conheceu um rapaz pobre que mudou o seu destino.
Um demônio de vinte metros de altura devorava dois mendigos num beco próximo do bar de onde ela tinha saído.
- Aiii...
- Meu Deus do Céu!
Cambaleando assustada, Rita cai próxima a um muro. E vê o demônio devorar os corpos dos dois mendigos.
- Meu Deus do Céu!
- Não se apavore, mortal! Fala o demônio lambendo a boca manchada de sangue. Eu sou Pavórius, o maior dos demônios... e ainda estou com fome!
- Nãooo...
Pavórius se preparava para devorar Rita quando um homem, do alto de um prédio, derramou um balde de água benta sobre o demônio.
- Iahhh... O demônio berra enquanto seu corpo derrete.
Súbito, uma lasca Pedra Filosofal em sua mão direita começa a brilhar. Os ferimentos cicatrizam.
- Você!
O demônio se vira na direção do agressor. Rita também vê o homem de sobretudo que tinha atacado Pavórius. E se impressiona com a coragem do caçador. Pavórius usa suas garras gigantescas para quebrar a parte do prédio onde o homem se encontrava. O caçador, precavido, salta do prédio e abre um pára-quedas. Nessa hora, Rita percebeu que foi a pedra quem curou o demônio. Sem pensar em mais nada, a jovem saltou contra o braço de Pavórius e deu um forte chute na pedra, quebrando-a.
- Nãooo... Grita o demônio enquanto os cacos da pedra caem pelo chão.Rita cai próxima a Pavórius.
- Sua maldita! Eu vou te comer até lamber os ossos!
- Não!
O caçador molha uma flecha com água benta, a coloca no arco e atira contra o peito de Pavórius.
- Nãooo... O demônio grita enquanto o corpo começa a pegar fogo. Eu não quero voltar para o Inferno! Eu não quero! Eu não quero! Nãooo...
E o corpo de Pavórius explode em um milhão de pedaços. E Rita vê um portal do Inferno se abrir. A patricinha presencia então a alma do homem, do humano que habitava o corpo de Pavórius, se puxada para baixo pelos demônios.
- Nãooo... Tenham piedade! Não! Não! Nãooo...
Os gritos do homem eram agonizantes. O portal se fecha. Rita empalidece com tamanho horror que presenciou. O caçador aproximá-se da patricinha e lhe diz:
- Não se preocupe! Aquele demônio não irá mais perturbá-la!
- Mas e você?! Quem é você?!
- Eu me chamo Matheus e sou um caçador a serviço de Deus!
E aquela jovem, ao ouvir tais palavras, sentiu o amor e a segurança que tanto tentava encontrar.
***
Inferno.
- Que carne mais suculenta!
- Que coxas mais grossas!
- Vamos fazer churrasquinho com essa vampira!
- Não! Não! Nãooo...
Natasha começa a gritar enquanto os dois lobisomens se aproximam. A vampira corre por um planalto de onde escorre uma cachoeira de sangue. Natasha passa por debaixo da cachoeira enquanto os dois lobisomens a perseguem. Um passa por de baixo e o outro por cima da cachoeira. Quando ela sai do planalto, um lobisomem salta ficando de frente para a vampira.
- Iahhh... Berra o lobisomem abrindo sua enorme boca.
- Nãooo...
O medo e o susto fazem Natasha descobrir seu poder. Ela se transforma em morcego e voa desviando-se do golpe desferido pelo lobisomem. O animal vê então um portal se abrir no céu vermelho do Inferno. E seu amor surge para ela.
- Natasha, é você?! Ele fala sem reconhecer o morcego.
- Sou eu, Roberto! O animal grita tornando-se Natasha.
A vampira começa a cair.
- Nãooo...
- Não! De novo não!
Roberto estica o corpo e agarra Natasha pela mão.
- Segure-se firme, meu amor!
- Roberto, não me largue! Por Deus, não me largue!
- Nunca! Eu jamais a abandonarei, meu amor!
Roberto consegue puxar Natasha para dentro do portal, livrando-a do abraço dos dois lobisomens que tinham saltado na direção da vampira.
***
Uma igreja.
- Que Deus ilumine os passos dessa alma redimida! Matheus fala enquanto, com o dedo indicador molhado pela água benta, faz o sinal da cruz na testa de Rita. Que ele não enxergue os crimes cometidos por essa jovem em nome da bebida! Mas que ele veja como é bela a busca pelo perdão tão pretendido por essa criatura! Amém!
Rita, que se encontrava ajoelhada, levanta-se encarando Matheus. Os dois jovens sentem então o amor penetrar em seus corações. Rita beija a mão de Matheus e este estremece com o desejo que invade-lhe o corpo.
- Obrigada, Matheus! Ela fala acariciando com os lábios a mão do caçador. Obrigada por interceder a meu favor junto a Deus!
Matheus solta a mão da boca de Rita. Os dois se olham por um momento.
- Eu só fiz a minha obrigação como cavaleiro de Deus! Mas você tem que parar de beber, Rita!
- Claro! Matheus, eu juro a você que não vou deixar o egoísmo de meus pais influenciarem o meu modo de ser!
Rita acaricia o rosto de Matheus.
- Eu juro!
Sentindo o desejo, o caçador fica de costas para Rita. Ela o abraça e diz aquilo que Matheus temia.
- Eu quero seguir você! Quero ser uma caçadora a serviço de Deus como você!Matheus se vira na direção da mulher.
- Não! É perigoso demais!
- Não me importo com o perigo!
- Você é louca!
- Matheus, até a semana passada, a minha vida não tinha sentido algum! Mas, desde que te conheci, passei a amar a Deus como jamais imaginei amar! E quero fazer algo por amor a Deus!
- Você não entende! Estes seres são muito perigosos! Você pode morrer! E eu não quero que você morra... porque... porque...
Ele desvia o rosto mais uma vez. Ela o pega pelo queixo, o acaricia e diz:
- Eu também amo você!
Os dois se beijam. Por uma janela aberta, a luz do sol ilumina os dois jovens que se beijam e se abraçam sob a imagem de Cristo Crucificado.
***
O presente.
Os portais do Inferno são atemporais. Assim, o que foi o espaço de um dia para Natasha no Inferno, tornaram-se vinte anos na Terra para Roberto. Nesses vinte anos, o vampiro se deleitava com as pessoas que iam visitar o parque ecológico ao mesmo tempo que decifrava os segredos da Pedra Filosofal a fim de tirar sua amada do Inferno.
Quando Roberto finalmente abriu o portal por onde salvaria Natasha, o proprietário do parque, preocupado com o número de mortes que ocorriam no local, contratou Matheus para que ele acabasse com o nosferato.
Natasha, assim, não sabia como usar a pedra para curar Roberto.
Deitado de bruços sobre uma poltrona velha, o vampiro grita em agonia.
- Natasha, tire a estaca! Tire a estaca, Natasha!
- Ai, meu Deus! Ai, meu Deus!
- Natasha, pare de falar de Deus e... Bluuurp...
Roberto vomita sangue pelo carpete.
- Nãooo...
Natasha se apavora e tenta puxar a estaca das costas de Roberto.
- Aiii...Os berros de dor de Roberto são cada vez mais desesperadores. Lágrimas de sangue escorrem pelos olhos do vampiro. Natasha finalmente arranca a estaca das costas do amado.
- Consegui, Roberto! Consegui! Agora, me diga... me diga o que fazer, meu amor!
- Não! Ele se vira na direção de Natasha. É tarde demais!
- Nãooo...
Natasha joga a estaca no chão e se agarra a Roberto. A vampira chora com o rosto colado ao peito do vampiro.
- Você voltou para me salvar... e eu não pude fazer nada! Eu não pude fazer nada! Iahhh...
Roberto segura forte na mão de Natasha. Os anéis de noivado de um e de outro encostam.
- Natasha... eu vou morrer... mas saiba... que nunca... nunca deixei de te amar!
- Nãooo... Eu quero ir com você, Roberto! Eu não quero perder você! Não quero!
- Não! Você não deve morrer!
- Mas eu não quero te perder!
- Natasha, escuta...
- Não!
- Escuta, caralho! Nós não temos muito tempo! Em breve, irei morrer! A Pedra Filosofal e o poder da imortalidade serão minha herança para você, minha noiva! Meu amor!
Natasha beija a boca de Roberto. As lágrimas dos olhos dela caem sobre o rosto dele.
- Prometa... prometa que continuará... prometa que a dor e a tristeza pelo meu luto não te farão cair nos braços das trevas! Prometa!
Natasha, ainda chorando, diz:
- Se esta é a sua última vontade, meu querido... se você quer que eu caminhe solitária pela Terra,... então pode descansar em paz... pois eu cumprirei minha promessa!
- Oh, Natasha, eu te amo tanto!
- Eu também te amo, Roberto!
- Oh, Natasha, por quê?! Por que você deixou que eu dirigisse bêbado naquela noite fatal?! Por quê?!
- Você... está arrependido?!
- Sim! Estou! Se eu não dirigisse bêbado... hoje estaríamos... casados... e com fiiilhos!...
Os olhos de Roberto viram para o alto e ele dá o seu último suspiro. Natasha chora desconsolada. Um vento forte entra pela janela da cabana enquanto o corpo de Roberto se desfaz em cinzas. Tudo o que restou do vampiro foi o anel de noivado na palma da mão de Natasha.
- Nãooo... Ela grita fechando o punho. Natasha pega a estaca de prata do chão. Com o anel de Roberto na mão direita, Natasha aponta a estaca para si com a mão esquerda.
- Eu não vou conseguir viver sem ele! Não vou conseguir! Não vou conseguir! Não! Não! Nãooo...
***
O barraco onde Rita e os três filhos moram. O telefone toca. Os dois filhos maiores soltam pipa do lado de fora do barraco. Rita, com um bebê nos braços, atende o telefone.
- Alô!
- Rita, sou eu!
- Matheus! Deus do céu, aonde você está?!
- Rita, me escute...O caçador sente a dor das costelas perfurando o pulmão e cospe uma bolha de sangue.
- A minha hora... chegou, Rita!
- Não! Ela fala chorando. Matheus, não! Não pode ser!
- Mas é! Eu... não... tenho... não tenho muito tempo, Rita!
- Matheus, não pode ser! Você é um homem de Deus!
- Eu sou mortal, Rita! E... o... destino... de todos... de todos os mortais é... um só!
Matheus cospe outra bolha de sangue enquanto Rita chora ao telefone.
- Matheus! Matheus! Matheus! Não me deixe, Matheus!
- Não... Não depende de mim, Rita! É Deus quem me chama agora! Só lamento por te trazer comigo nessa vida louca! Só lamento pelos nossos filhos, órfãos dessa guerra! Oh, Rita... me perdoe! Eu... não queria te ver infeliz!
- Não há o que perdoar, meu querido! Eu sabia dos riscos quando me casei com você! E não me arrependo de nada do que fizemos! Pois toda a nossa vida foi baseada no amor de Deus!
Do outro lado da linha, Matheus escuta o choro do bebê nos braços de Rita.
- É... É a Carminha que está aí no seu colo?!
- É! É sim!
- Ponha... Ponha ela no telefone, por favor!
E Matheus escuta a voz de sua filhinha.
- Oi, filhinha! Oi, meu amor! Tudo bem com você?!
- Papa! Papa! Gugu!
- Papai já tá voltando prá casa, tá meu amor?!
- Papa! Papa! Gugu!
A criança sorri ao escutar a voz do pai. Próximo ao orelhão onde Matheus se encontra, um grupo de médicos e enfermeiros fumava e ria num barzinho.
- Chama a mamãe prá mim, meu amor!
- Papa bejo!- Um beijo prá você também, meu anjo!
- Sou eu, Matheus!
- Rita... meu amor... eu não tenho mais tempo!
- Não diga isso, Matheus! Você tem que voltar prá casa... prá cuidar dos nossos filhos... e prá cuidar de mim, meu amor!
- Rita,... eu te amo, mas você tem que ser forte! A guerra... A guerra entre o Céu e o Inferno! Você disse que queria ser uma caçadora! Eu... te ensinei tudo o que sei! Por favor... por amor a Deus...
- Sim! Eu prometo, amor! Eu vou continuar a sua missão divina, meu querido!
- A "nossa" missão divina, Rita! Eu te amo! E... aonde eu estiver, levarei o nosso amor... em meu coração!
Matheus larga o telefone e cai para trás.
- Nãooo...
O grito de Rita foi ouvido do outro lado da linha. Só naquele momento, os médicos e enfermeiros foram socorrer Matheus.Mas aquele caçador temente a Deus, não mais respirava.
***
O enterro de Matheus.
Abraçada a seus dois filhos e com Carminha nos braços, Rita chora a morte do marido. Mas nem ela e nem Natasha cumpriram seu destino.
Os pais de Rita eram contra o casamento desta com Matheus pelo fato dele ser pobre. E, depois da morte do caçador, não lhe ajudaram em nada. A garota passou a trabalhar como caixa em um supermercado. A rotina do trabalho, além da educação e sustento das crianças, a impediu de se tornar uma caçadora. Mas ela ensina os mandamentos de Cristo aos filhos na esperança de que eles sigam os passos do pai.
Quanto à Natasha, apesar do imenso amor que sentia por Roberto, não teve coragem para se matar. Largou a estaca de prata sobre as cinzas de seu amado e se pôs a chorar.
Foi então que ela abriu a mão onde estava o anel de Roberto.
- Eu vou viver, Roberto! Por você! Pelo nosso amor! E, aonde você estiver, os meus pensamentos o acompanharão... por toda a eternidade!
FIM

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