Thursday, March 09, 2006

SONHOS SANGRENTOS

ESTÁGIO SEIS
( POR: RONALDO DE OLIVEIRA COSTA)

No dia seguinte, de manhã abro o jornal e vejo que ocorreu uma guerra entre traficantes e policiais no Morro do Andaraí. Até aí, a batalha ocorrida na favela não tem nada a ver comigo. Se não fosse pelo fato de que um dos traficantes, baleado pela polícia, antes de morrer, confessou ter me contratado para matar o filho do industrial.
Ainda segundo o marginal, a vítima lhe devia muito dinheiro e, pelo fato de ser uma pessoa rica, achava que podia não pagar o tráfico e sair ilesa. Como eles já tinham descoberto meu antigo corpo no necrotério e já que o traficante morreu, o caso foi dado como encerrado. No entanto, houve um detalhe que passou desapercebido pelos investigadores, mas que foi denunciado pela Imprensa. Durante minha passagem pelo túnel de teleporte, dezessete anos se passaram. Isto porque o túnel é atemporal, ou seja, o tempo não é o mesmo que o da Terra. Assim, o que foi um espaço de um dia pro outro para mim, representou dezessete anos neste mundo.
Como então uma pessoa que morreu há dezessete anos, pode ter cometido um homicídio anteontem? Isso a polícia não soube responder. Na verdade, o traficante foi torturado pelos investigadores para contar a história mencionada acima. Os repórteres já estão, inclusive investigando o que ocorreu com o marginal já que a causa da morte dele não foi do tiro que ele levou, mas sim duma pancada que ele teve na cabeça. Os policiais se defendem dizendo que o criminoso caiu de cabeça no chão no momento do disparo. Mas, se foi realmente isso que aconteceu, segundo os especialistas, a morte seria instantânea, sem ter dado tempo para o marginal confessar o homicídio do filho do industrial.
Os pais da vítima também querem esclarecer que a história contada pela polícia é mentirosa pois é de seu interesse que ninguém saiba que seu filho tinha contato com traficantes. E, por maior que seja o número de testemunhas que afirmem o contrário, eles abriram um processo criminal contra a garota filha do dono de padarias por calúnia e difamação, já que foi ela quem mencionou primeiro a ligação do morto com o tráfico. Ou seja, ninguém vai saber que fui eu.
No entanto, outro fato chama a minha atenção nessa reportagem. Os repórteres investigaram minha vida e descobriram que meu pai disse que cai da escada, como se fosse um acidente. Eles averiguaram, por outro lado que meu genitor tinha fama de violento e verificaram que os legistas não consideraram que existiam marcas de espancamento em meu corpo. O caso foi dado como acidente e arquivado. Por um instante, o ódio toma conta do meu coração e eu rasgo o jornal. Saio do beco e vou andando pela rua enquanto olhares ocultos me observam de longe.
***
Eu gosto de andar pela rua quando é dia para ver a vida iluminada pelo sol. Vejo os trabalhadores correrem pelas ruas. Os casais de namorados se amando. As crianças brincando no parque. As padarias sendo abertas. O trânsito caótico da cidade. Os subornos sendo passados disfarçadamente. Os mendigos se acabando no álcool e na insanidade. As brigas. As discussões. A luta pelo dinheiro que sustenta famílias. A batalha pelo poder em algum ponto de drogas.
Todo esse imenso espetáculo existe aqui, no Brasil, há muitos anos. E, com o tempo, ele vem se deteriorando, transformando a cidade numa sucursal do Inferno. Quantas almas perdidas pela ambição sem medida. Quantos coitados que poderiam ir para o Paraíso se não fosse pelo vício. A impunidade e a corrupção podem ser vistas por todos. Mas ninguém se importa. Ninguém liga. O importante é sobreviver.Há um bom motivo para terem arquivado o caso que envolveu a minha morte. Meu pai era policial da reserva. E, além de ser um homem violento, também era corrupto. Ele conhecia amigos na polícia. E seus amigos conheciam outros entre os legistas. Foi assim que ele encobriu minha morte, minha destruição. Foi assim que ele abandonou minha mãe na mais absoluta miséria.
***
Os repórteres pediram para que os legistas fizessem um novo exame em meu corpo. Mas o estado deste estava tão deteriorado, que tal ação não pôde ser realizada. A suspeita, no entanto, ficou. E os repórteres descobriram que meu pai morreu, assassinado pela segunda esposa, que fugiu, deixando minha irmã órfã. Clarissa ficou sob a tutela do Estado, em uma instituição para menores carentes. Lá, ela se tornou viciada em drogas e assassina. Matou uma garota porque esta lhe roubou um saquinho de cocaína. Isso só piorou as coisas para ela. Clarissa foi espancada pelas funcionárias do lugar. Estas pensam que conseguiram enfraquecê-la com a surra. Não sabem o demônio que criaram no interior da menina.
***
Penso em ir ajudá-la, mas sei que ela não quer minha ajuda. Sei que ela me odeia. Que me considera culpada por tudo que aconteceu a ela e aos pais. Eu não a culpo. Clarissa era a filha que meu pai sempre quis ter. Diferente de mim, ela não tinha nada de rebelde. Só se tornou o que é por minha causa. Por minha culpa. Eu não devia tê-la usado daquela maneira. Mas tinha de me vingar de meu pai. E, a satisfação pela vingança cumprida supera meu sentimento de culpa. Se um dia, Clarissa quiser vingar a morte do pai, eu a estarei esperando.
***
Eu me lembro que nós dois estávamos muito apaixonados um pelo outro para pensar em prevenção naquele dia. Eu confiava totalmente nele e ele confiava muito em mim. Segurança. Esta é a palavra mágica que faz com que um homem e uma mulher se entreguem. O amor só se constrói com confiança mútua e isso nós tínhamos de sobra.
- Garota, o que você fez? Eu lhe falava que sonhava em ser sua esposa e a mãe de seus filhos. Que meu pai nunca iria deixar que ficássemos juntos. Que meu genitor me desejava. Que me queria só para ele.
- Desculpa, moça! Você se machucou?
Ele dizia que me amaria para sempre. Que seria sempre fiel a mim, não importasse o que acontecesse. Por isso, ao contrário das outras vezes em que nós nos amávamos, entreguei-me a ele sem nenhum cuidado, sem nenhuma prevenção. Ele dizia que iria lutar contra meu pai para me libertar do seu jugo opressor.
- Você não me reconhece?
- Você tem que ter mais cuidado, quando andar de bicicleta, garota!
- Você não me escutou?
- Que, moça? O que disse?
- Você não se lembra de mim, droga?
Eu me levanto e o espanto. Os mesmos olhos que me viam com ternura, agora me olham com medo.- Do que você está falando? Eu nunca a vi em toda a minha vida!
- Você jurou me amar, não lembra?
- O que? Desculpa, moça, mas eu sou casado!
- Nãooooo...Gritei até perder a voz. Me transformei em vampira como por instinto, assustando pai e filha. E um corpo que outrora esteve dentro de mim, balbucia:
- Deus...
- Deus não tem nada a ver com isso! Será que agora você me reconhece?!
- Papai, eu tô com medo!
- Está assustando minha filha!
- Filha! Esta é... sua... filha?! Mas você disse...
- Moça, eu não sei quem você é!
Eu comecei a chorar então, de joelhos, diante dele, e lhe disse:
- Eu te amo!
Nesse instante, os olhos do homem arregalaram:
- Espere, essa voz... Você... Não pode ser! Faz tanto tempo... desde que me casei...Ele me pegou pelos braços e me ergueu. Dessa vez, o medo foi substituído pela curiosidade.
- Me disseram que você tinha morrido! Achei que nunca mais te veria...
Eu olho para a menina e esta chora, ainda com medo.
- Você me amava?
Eu pergunto olhando fundo nos olhos dele. Ele não responde.
- Não?!
As lágrimas caem de seus olhos.
- Eu era muito jovem...
- Ahhhhh...
Eu o jogo no chão. O impacto é tão grande que acabo quebrando o seu braço direito. Ele grita em agonia.
- Maldito! Eu me preparo para atacar quando a menina me agarra pela perna e diz:
- Não, por favor, não mate meu pai! Por favor, não machuca meu papai! Por favor...
Eu olho para ela e olho para ele.
- Sua mulher... Ela te roubou de mim!
- Eu pensei que você tinha morrido!
- Você nunca me amou! Nunca! Eu... Eu morri por sua causa!
"Tire a felicidade dele!"
- O que?!
- Moça, não machuca meu papai!
A criança chora em desespero.
"A menina! Pegue a menina!"
- Pare! Quem é você?!
Ela está louca! Ele pensa, mas realmente eu comecei a escutar vozes dentro da minha mente.Não sabia se era um desejo meu. Talvez fosse. O fato é que me deixei levar pela armadilha "dele" e fiz o que não devia.
Eu olho para ele e para a menina uma vez mais e digo:
- Não vou te matar, mas você ficará para sempre, com o peso em sua memória, de que eu morri por sua causa! Por sua causa... Por sua causa...Por sua causa! Por sua causa! Por sua causa! Por sua causa!
- Ahhh...
Ele acorda no hospital sem entender o que houve.
- O que? O que aconteceu?
- Calma, querido, eu estou aqui!
- Amor, mas... e a nossa filha?! E a nossa menina, como ela está?!
- Ela está bem, querido! Os médicos disseram que você pode voltar para casa daqui a pouco! Ela o beija e, num impulso de raiva, eu mordo seu lábio superior.
- Ai! Ela se afasta assustada.
- Nossa, querido! Mesmo de cama, você é um tigrão, hem?
Ela sai do quarto um tanto quanto feliz. Um pensamento invade a mente do homem.
Por que eu a mordi?! Ele pensa.
- Amor, o que exatamente aconteceu?
- Parece que vocês foram assaltados por uma mulher! Ela fugiu, mas a polícia já a está caçando! Você não se lembra do que aconteceu?
- Não! Assalto? Mas eu achei que tinha visto...Ele pausa em sua fala, assustado.
- O que, querido? Quem você pensou que tinha visto?
- Nada! Nada não amor!
- De qualquer forma, vou conversar com o médico para saber dessa sua repentina perda de memória! Enquanto isso, repouse um pouquinho, tá? Te amo!
O homem nada responde. Uma força de dentro de seu corpo o impede de responder ao carinho da esposa.
- O que foi?!
- Que foi o que?
- Eu disse que te amo!
- Tá, amor, desculpe, mas é que eu não estou me sentindo bem! Preciso mesmo repousar!
- Tá! Tá bom!A mulher se vai. O seu olhar de desconfiança denota que é agora que o jogo começa.
***
Biquíni no lugar de livros.
Tanga no lugar de cadernos.
Era todo dia a mesma coisa. Eu arrumava minha mochila como se fosse prá escola, mas na verdade ia para a praia. Meus pais nunca desconfiaram de nada. Mas também esse era o único jeito de vê-lo. De tocá-lo, de senti-lo. E naquela manhã não foi diferente. Eu nunca gostei das aulas na escola. Em pleno verão, com um sol lindo iluminando a Terra... e aquela chata daquela professora me vem com equações do 2º Grau. Eu lá quero saber o que é isso? Mas o pior mesmo era a chatice da aula de Literatura. Falando de Mal do Século, de Romantismo. De jovens que se matavam por amor. Que chato. A gente querendo ir prá praia, ouvir música, comer churrasco, beber refrigerante e... o principal, namorar.
Eu e a minha melhor amiga inventávamos para nossos pais que íamos para a escola estudar, mas a gente saía com nossos namorados. Uma acobertando a outra. Eu conheci meu amor em uma danceteria. Nós conversamos, falamos da vida, ele quase se formando, eu ainda no ginásio. Ele era lindo quando falava e também quando ficava calado. Eu me apaixonei de cara. Também achei o mesmo dele. Nos beijamos naquela mesma noite. Ele trabalhava de tarde e estudava de manhã. Depois que me conheceu, começou a matar aula também para me encontrar.
Eu ainda o aconselhava a não fazer aquilo. Que ele já estava quase se formando. Que não valia a pena ele arriscar a sua carreira por uma adolescente. Ele dizia que eu estava certa. Mas que ele não estava arriscando a sua carreira por uma adolescente e sim por amor. Como sempre ele era muito doce comigo. Depois de um mês transamos na praia. Ele tirou uma folga no serviço só para me ver. Ele me amava. Eu sentia segurança nele. O achava muito confiante. Acredito que ele confiava em mim também. A partir daquela tarde, a minha vida mudou para sempre. Mas minha mãe desconfiou de que algo de muito ruim estava acontecendo. O meu pai sempre foi um homem muito violento e ela tinha medo que ele brigasse com ela por minha causa. Ela o amava. Acreditava que ele brigava comigo porque eu não seguia seus princípios de respeito e de honra. Ela não via a verdade e eu não tinha coragem para lhe dizer.
O meu pai me queria só para ele. Meu genitor considerava que, pelo fato de ter me criado, ele tinha o direito de ter todo o controle sobre a minha vida. Ele queria que eu fosse sua amante. Eu o achava um monstro por isso. Certa vez ele passou a mão entre minhas pernas enquanto eu dormia. Ele não sabia que eu já estava pronta. Tirei o canivete por debaixo da cama e o ameacei.
- Nunca mais encoste a mão em mim!
- Você é minha! Eu te criei e você tem que ser minha!
- Não! Nunca! Nunca!
- Você vai ser minha! Ah! Se vai!
Minha mãe não sabia ou fingia não saber o que estava acontecendo. Ela sempre ficava do lado dele e eu não conseguia suportar aquela situação. Por isso, um dia, ela abriu meu armário, leu meu diário, viu os biquínis, as tangas... e as camisinhas. Falou tudo para meu pai. E aconteceu a briga que me matou.
Eu morri por amor. Ainda me lembro do que dissemos antes de minha morte.
- Eu sempre terei você dentro do meu coração!
- E você viverá para sempre em meu pensamentos, porque você já faz parte deles!
- Eu te amo!
- Eu também te amo!
Nós nos beijamos naquela manhã de sol de mãos dadas, sem saber o que estava para acontecer. Me lembro que quando caí da escada e bati com a cabeça, um último pensamento veio em minha mente:
Eu vou morrer por amor.
E acabei morrendo mesmo por amor. Condenada ao Inferno. O sangue que escorria de minha cabeça tampou meus olhos e eu adormeci. Acordei com o cheiro forte de enxofre me intoxicando. Mas, assim que abri os olhos, já reconheci o ambiente descrito na Bíblia. Os poços de lava incandescente, os diabos lutando entre si pelo poder. Monstros. Pessoas deformadas pela transformação demoníaca. Eu seria a próxima.Amarrada de pernas e braços em uma corda que pendia sobre uma das poças, eu era torturada pelos diabos com seus tridentes espetando meu corpo. Os meus gritos foram desesperadores naquele momento. Eu só sentia dor. Não parava de chorar. Mas, um pensamento me confortava diante de todo aquele pesadelo. Que eu não tinha me rendido à opressão de meus pais. Que eu tinha tido a coragem de desafiar uma situação criminosa e vil. Mas, acima de tudo, que eu tinha morrido por amor. E que esse amor seria carregado no coração e na alma do homem que me amava.
***
Fui condenada ao Inferno e me transformei em uma vampira por amor. Amor a esse homem que agora dorme com outra mulher. Eu não tenho coragem para matá-lo. Mas ela, ela não tinha o direito de roubar meu amor de mim. Eu que o amei primeiro. Ele devia ser fiel a mim para sempre, não importasse o que acontecesse. Mas não foi. E agora ela vai pagar.
Quando eu pego o travesseiro e tento sufocá-la, ela resiste, luta para se libertar. Este corpo está debilitado, fraco demais para uma luta devido ao gesso no braço. O gesso pesa. A mulher acerta um murro em meu rosto e eu caio para o lado. Ela se levanta da cama e me encara assustada.
- Você ficou louco?!
- Você não vai ficar com ele! Não vai!
Eu avanço contra ela e a encho de tapas no rosto. A mulher cai chorando. Eu a agarro pela blusa e lhe digo:
- Está vendo como é bom ser estapeada?! Como é bom ser espancada por amor?! Foi assim que eu morri por causa desse homem... e você o tirou de mim! O tirou de mim, sua maldita!
- Não! Pare! É por causa dela, não é?!
- Que?!
- Você sempre se culpou pela morte daquela garota! Eu sempre tentei conquistar o seu amor depois que ela se foi, mas parece que não deu certo, não é mesmo?! Você ainda a ama! Ainda a quer! Como eu fui burra! Achei que isso iria mudar depois da vinda de nossa filha, mas pelo que vejo, me enganei! Mas eu não sou a única culpada! Eu te queria sim! Te amava!
- Você não tem o direito de amá-lo! Só eu!
- Pare de falar como se fosse ela! Ela morreu! Morreu! Deu prá entender?! Morreu! Nós estamos vivos e temos uma filha prá criar! Ou vai querer que ela cresça órfã!
As palavras da mulher, por um instante, me chocam. Se eu a matar, a criança que ele teve com ela, crescerá sem mãe! Um pensamento sombrio vem em minha mente! Ninguém me disse, mas eu sabia que não poderia ser mãe! E essa mulher deu ao homem que eu amo a filha que nós dois poderíamos ter! Tive vontade, nessa hora de matar a mulher e a menina! Mas, aí outra mistura de dor e de tristeza invadiu a minha mente. Os pensamentos dele. Ele tinha se tornado um pai exemplar. Era justo, não era severo. Era carinhoso, não era libertino. Tudo o que o meu pai nunca foi. Ela era uma mãe muito aberta ao diálogo e amorosa. Juntos, eles não eram uma família perfeita, mas era tudo o que eu queria ter tido. E eu vou estragar tudo agora. Matando essa mulher que nem me conhecia. Que tudo o que quis foi dar um pouco de amor ao meu amado quando este me perdeu para os braços da morte. Que lhe deu felicidade e conforto em momentos de angústia e de desespero. Que lhe deu uma filha. Eu entendo. Embora, tenha dominado este corpo, ele está lutando para se libertar, pois, sim, ele ama a mulher e a filha. Começo a chorar. A mulher não entende. Por um instante, ela hesita, mas por fim, abraça o marido. E eu chego à conclusão de que a vingança não vai fazê-lo me amar, mas sim odiar a memória da pessoa que eu fui... e não sou mais.
- Adeus, meu amor! Guarde a lembrança do nosso amor em seu coração! Eu sempre a terei dentro do meu! Quando eu saio do corpo dele, os dois me olham com uma mistura de surpresa e de dor.
- Eu o amava, mas hoje ele ama você! Eu estava errada em querer me vingar por algo que você nunca me fez! Mas, por favor, me prometa que você irá amá-lo para sempre! Por favor... não o deixe sozinho!
Após alguns instantes de espanto, a mulher responde:
- Eu vou amá-lo tanto quanto você o amou!
Eu sorrio tristemente e sumo na escuridão. Ainda escuto a mulher dizer:
- Que Deus guarde sua alma!

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