Thursday, March 09, 2006

SEDE DE PODER

( POR: RONALDO DE OLIVEIRA COSTA)
- E aí?! Trouxe o dinheiro?!
- Cinquentinha cara! Tá na mão!
- Valeu!
- Da próxima vez, dá o número da tua conta que a gente deposita na maior limpeza!
- Ué, por que?
- É que, sabe como é, vai que um desses caras da Imprensa aparece, filma nós aqui, trocando dinheiro...
- Teu patrão tá com medo de quê?! Da multa?!
- Sou eu quem tá com medo, cara! Se os repórteres nos flagram aqui, na maior transação, quem se ferra sou eu! É a minha cara que vai tá lá na telinha, não é a do meu patrão!
- Mas ele pode pagar uma multa, cara! E olha que a grana que ele vai ter que tirar do bolso não é pouca não, aí!
- E tu acha que ele liga prá isso mermão?! Meu patrão tem "amigos" na Justiça! Se acontecer alguma coisa, eles têm como arquivar o processo durante um tempo e a Imprensa esquece rapidinho o que aconteceu!
- Ué, mas então por que ele paga prá não ser multado?!
- Questão de imagem, cara! Se a Imprensa divulga a quantidade de lixo que essa empresa joga no mar, a publicidade dela queima!
- É! Tem razão! Bom! Vou nessa! Até mais!
- Até!
O fiscal entra na lancha que o tinha levado até a embarcação e sai do local. Ao longe, ele vê um dos funcionários do navio jogar uma garrafa plástica no mar. A empresa Trans-Ilvânia - Transportes LTDA não se importa com a poluição ambiental, mas sim com o lucro. Perto dali, um tubarão cabeça-chata fêmea agarra uma garrafa plástica, arremessada por um dos funcionários do navio, com os dentes. Ela leva a garrafa até seus filhotes e percebe que está faltando um de seus rebentos. A fêmea olha para trás e vê o filhote desgarrado seguir o navio, atraído pelos detritos que este joga no mar. Buscando recolocá-lo para junto de seus irmãos, ela vai atrás dele. Mas, excitada pelo lixo, ela também o segue em sua jornada. O macho permanece ao lado dos outros filhotes para protegê-los dos predadores. No entanto, a excitação pelo lixo, um fenômeno inexplicável pelos biólogos, também o atrai.
Dividido entre o instinto de preservação da espécie e o da atração pelo lixo, o macho tenta resistir à tentação. Balança o corpo de um lado para o outro tentando devorar pequenos seres a fim de aliviar a tensão. Mas, afinal, decide seguir o rumo da fêmea e do filhote, indo os três em direção às praias do Recife.


***

Ontem à noite.
Os lábios se tocam. Mão passeiam pelo corpo da menina. Ela sente ele tirar sua bermuda. Mas, de repente, um terrível pensamento a enche de pavor. Amélia se lembra de sua missão. Do quanto lutou e estudou para poder chegar na faculdade. Então, ela afasta Carlos de si antes que ele abra o fecho-ecler de sua bermuda.
- Carlos, pára!
- Ah, gata, que foi?! Pergunta ele enquanto as mãos de sua namorada o afastam.
- Sei lá! Não tô gostando disso!
- Mas, meu amor, a gente se ama! Vamo curti!
- Não! Que curti o que! Chega!
Amélia afasta Carlos de si e senta na cama improvisada. O garoto se aproxima dela e a beija no ombro.
- Que foi?! Fiz alguma coisa que cê não gostou?!
- Não! Não é nada disso! É que eu não estou a fim, tá?!
- Ué! Mas por quê?!
Ela se vira olhando para ele e fala:
- Você sabe porque.
- Por que você ainda é virgem?! Carlos pergunta olhando seriamente para Amélia.
- É! É por isso também!
- E vai ficar virgem até quando, gata?! Vai me dizer que tu pensa em casa virgem, em ir pro altar na moral vestida de véu e grinalda?!
Amélia ri.
- Você é muito bobo, sabia?!
- Sabia! Mas é isso o que mais te atrai em mim, né?!
Amélia abaixa a cabeça quieta.
- Amélia, eu sei que tu não curte essa de casa virgem! Então por que...
- Ai, Carlos, chega! Eu não quero porque não tô a fim! Porque sinto que ainda não chegou a hora!
- Não chegou a hora... ou é cê que não me quer?
Amélia vira-se na direção de Carlos e olha para ele. Ela o acaricia o rosto de seu amado e diz:
- É claro que eu te quero meu amor, mas é que eu tenho tanto medo...
- Medo de que, gata?
- Sei lá! De engravidar! De, de repente, duma hora prá outra ter de abandonar a faculdade, casar, ter filhos, assumir uma responsabilidade que eu acho que não estou pronta prá assumir!
- Cê tá com medo de fica prenha depois de fazermos amor?!
- É! É isso Carlos! Eu tenho mil planos pro futuro! Meu pai ralou prá caramba prá me botar na faculdade, tive de estudar uma montoeira de livros prá chegar onde cheguei e não quero parar agora!
- Gata, eu tenho a solução prá esse problema!
Carlos tira um pacote de camisinhas do bolso e mostra à namorada.
- Tá vendo, meu amor, como eu penso em tudo? Comprei camisinha aos monte pensando na nossa noite de amor! E é cada uma de uma cor! É só cê escolher que a gente pode ter a nossa "lua de mel" improvisada!
No entanto, a possibilidade de fazer amor com seu namorado de forma segura, não animou tanto Amélia como Carlos esperava. De modo contrário, a reação da garota o surpreendeu:
- Seu insensível! Você só pensa nisso, é?!
- Não, meu amor, não é assim...
- É assim sim! Você diz que me ama, mas será que me ama mesmo, Carlos?!
- Mas é claro, Amélia! Eu te adoro!
- "Eu te adoro"! Sei! Sei! Prá mim, você só tá a fim de me traçar, seu tarado!
- Não, Amélia! Não é nada disso! Juro!
- Ih, Carlos, tá bom! Não precisa jurar não, tá?! Agora caí fora daqui que eu quero dormir!
- Que?! Mas Amélia, e a nossa noite de amor?!
- Noite de amor uma ova! Não vou querer fazer amor com um garoto que só tá a fim de me pegar como uma qualquer!
- Mas Amélia, eu te amo de verdade!
- Ihhhhh.... Carlos, chega! Agora vá dormir na outra tenda que eu tô com sono, vai! Até amanhã!
Amélia deita na cama e se cobre. Carlos se levanta e vai até a entrada da tenda. Ele olha para sua namorada com paixão. Ela sente o olhar tentador dele. Sente vontade de agarrá-lo e de beijá-lo, mas a insegurança impera em seu coração.
- Carlos, tá fazendo o que ainda aqui, hem?! Cai fora, garoto!
Os dois ainda dão uma última troca de olhares. Até que Carlos dá "até amanhã" e vai embora. Amélia volta a se cobrir e tenta dormir. Mas não consegue. Fica imaginando como teria sido bom transar com Carlos, sentir seu amor dentro de si. No entanto, seus planos e objetivos pro futuro já estavam bem traçado. Ela iria terminar a faculdade de Serviço Social este ano. Iria finalmente trabalhar e ganhar dinheiro com aquilo que gosta: ajudar a quem precisa. Em sua mente, Amélia imagina se a camisinha de Carlos tivesse furado no momento de sua transa. Como ela ficaria diante dos pais, que se sacrificaram tanto para dar a ela um bom estudo, grávida esperando um filho de um garoto que talvez nem a amasse?! Amélia amava Carlos! Mas o medo do futuro e a insegurança que o garoto lhe traz a impedem de viver intensamente esse amor!
Já sua amiga Bia, na outra tenda, nos braços de Eduardo, não pensa nem um pouco em futuro ou insegurança. Ela agarra seu amado com força, sente ele lhe meter com selvageria enquanto lhe tira o sutian e a calcinha. Bia arranha as costas de seu amado enquanto tira-lhe a sunga. Os dois nús começam a transar intensamente. Bia sente a boca de Eduardo em seu pescoço e começa a gemer enquanto ele lhe mete cada vez mais:
- Ah.... Ahhhhh.... Ahhhhh.... Ahhhhh... Ahhh.... Ahhhhh...
Bia goza junto com Eduardo. Como ela poderia ter insegurança ou medo em relação a seu amor, depois de tudo o que eles viveram? Na adolescência, ele foi o seus primeiro homem. Aquele a quem ela se entregou de corpo e alma. No entanto, Eduardo a traiu com outra mulher e os dois terminaram o namoro. Depois dele, Bia achou que nunca mais se entregaria a outros homens. Mas entrou na faculdade e conheceu outras pessoas. E outros homens. Amou uns e teve prazer com outros, nunca pensando em compromisso. Até que ela conheceu Paulo, um homem que a encontrou bêbada, quase sem ter como ficar de pé. Este homem, ao invés de se aproveitar da situação, a levou de volta para casa. Foi dessa forma que Paulo conquistou a confiança e o interesse de Bia. Ela ficava imaginando o que ele deve ter sentido ao vê-la deitada no banco traseiro de seu carro sem sequer tocá-la. E resolveu ver até que ponto aquela curiosidade a levaria.
Em pouco tempo, os dois tornaram-se amigos. Em dois anos, ficaram noivos. Iriam se casar depois que terminassem a faculdade. Até que Eduardo ressurgiu em sua vida, divorciado e com um filho prá cuidar. A princípio, ela riu do reencontro. Achou ridículo vê-lo naquela situação: com um péssimo emprego, tendo de trabalhar para sobreviver além de pagar a pensão à mulher e ao filho pequeno. Ao passo que ela já estava noiva, faltando um ano para se formar e com uma promessa de conseguir um emprego de Serviço Social em uma firma particular.
No entanto, em seis meses, o amor que Bia sentia por Eduardo voltou e começou e a tomar conta de seu coração. Ela terminou o noivado com Paulo e declarou aos pais que iria morar com Eduardo. Eles ficaram furisosos com a atitude da filha e disseram que nunca iriam ajudá-la no que eles consideravam "uma loucura de jovem mimada". Mas Bia sabia que eles estavam zangados porque a filha iria ser mulher de um homem divorciado. No entanto, a menina deu uma "banana" para todos e foi viver com seu grande amor em uma casa de praia.
Ao fim da transa, ao se lembrar de tudo o que passou para viver ao lado de Eduardo, Bia não exita ao declarar:
- Eu te amo, Dudu! Te amo e sempre te amarei!
E Eduardo responde com a mesma paixão:
- Eu te amo também, Bia! Muito!
Os dois apertam as mãos um do outro e falam, antes de dormir:
- Para sempre!


***

Hoje de manhã.

O dia surge. Antes de Eduardo e sua amada dormirem de vez, eles transam novamente. O sol da manhã ilumina seus corpos nús sobre a cama.
Eduardo acorda e admira o espetáculo de beleza que o corpo de Bia lhe proporciona. O rapaz tinha casado com outra mulher há um ano atrás acreditando ter encontrado a pessoa ideal. Engravidou a mulher e, por força das circunstâncias, casou-se com a criatura. No entanto, apesar de ter amado sua ex-esposa, com o passar do tempo, Eduardo percebeu que a mãe de Renato não era a mulher ideal para ele. O homem chegava em casa cansado do trabalho e não havia comida pronta, a casa estava suja, a roupa para trabalhar no dia seguinte estava mal passada.
Eduardo passou apuros com sua mulher, que era extremamente gastadeira. A gota d`água foi quando cortaram a luz porque ela usou o dinheiro da conta para comprar bijouterias. Os dois brigam até hoje na Justiça prá ver quem fica com a guarda do Renato.
Agora chega de farras, Eduardo. Ele pensa enquanto acaricia o corpo de Bia. Eu amo Bia desde o primeiro momento em que a vi! Tenho um filho para criar e não posso abandoná-los! Meus dois amores! Eu os amo! E vou lutar com todas as minhas forças para ficar com vocês.
Do lado de fora da tenda, Carlos olha para o mar e vê a mancha negra de detritos se aproximar da praia. O jovem se lembra do seu primeiro beijo em Amélia. De quando a ensinou a surfar. A garota era amiga de Bia, atual esposa de Eduardo, seu melhor amigo e companheiro de ondas. Quando os dois se encontraram, Carlos achou que seu coração iria pular do peito. O jovem sempre teve tudo na vida. Ele até ama Amélia, mas sua infantilidade atrapalha-o na conquista.
Amélia e sua amiga Bia tinham ido para o mar a fim de surfar. O garoto pegou sua prancha e resolveu acompanhar as duas. De repente, ele se joga no mar, gritando:
- Tubarão! Tubarão!
- Oh, Deus! Carlos!
Amélia nada na direção de seu amado. Bia tenta alertá-la, mas é inútil. Carlos agarra a namorada, a puxa para dentro do mar e a beija. A garota se solta dele e sai da água dizendo:
- Seu idiota! Cof! Cof! Cof! Você quase me afogou! Imbecil!
- Pô, Amélia! Aí, foi mal! Tava só brincando!
- Quer brincar?! Então vai pegar uma boneca, vai!
- Pô, qual é?!
Amélia, irritada, sai da água enquanto Bia, rindo, a acompanha. Se Carlos soubesse pelo menos como mostrar o quanto ama a namorada ao invés de bancar o bobão o tempo todo talvez eles tivessem uma segunda chance. Talvez.
- Epa! Carlos sente que sua prancha esbarrou em alguma coisa.
Súbito, ele vê a mancha negra de detritos próxima de si e leva um susto quando o filhote de tubarão emerge de boca aberta.
- Meu Deus!
Ele grita. O filhote morde sua mão esquerda.
- Aiii... Grita Carlos enquanto o filhote o puxa para dentro d´água.
- Carlos!
Amélia olha para trás, preocupada com seu amado. Ela vê Carlos sendo puxado pelo filhote, mas não consegue enxergar este.
- Amélia, que foi? Pergunta Bia.
- Sei lá! Responde Amélia. O Carlos gritou! Ah, mas não deve ser nada! Vai ver, ele está só de brincadeira de novo! Esse garoto é tão infantil!
- Infantil, mas louco por você, "bróderzinha"!
-É!
- E você?!
- Eu o que?!
- Você não é louca por ele?!
- Ah, sei lá, Bia! Eu gosto dele, mas o Carlos é tão...
De repente, Amélia vê uma mancha de sangue surgir no lugar onde Carlos estava e se apavora.
- Meu Deus! Carlos!
Sem pensar em mais nada, Amélia pega sua prancha e corre entrando no mar indo em direção à mancha.
- Amélia, espere!
Bia pega sua prancha e corre atrás da amiga. Ao longe, Eduardo vê as duas correndo para o mar.
Garotas bobas! Pensa o jovem. Será que elas não vêem que o Carlos só... está... brincando?! Meu Deus!
Ele avista duas barbatanas de tubarão se aproximando da mancha de sangue. E corre com sua prancha na direção das duas garotas tentando alertá-las.
- Bia, espere! Pare! Não entre na água! Tubarão! Tubarão!
É inútil. As duas já estão próximas da mancha. Eduardo não consegue conter seu nervosismo. Seu amor por Bia é tudo para ele. O jovem só pensa nela quando entra no mar.
Nisso, Carlos grita desesperadamente enquanto o filhote o puxa mais e mais para o fundo. Em meio ao lixo que cerca ele e o animal, o surfista vê um caco de vidro. Desesperado, ele pega o caco e o crava no olho esquerdo do bicho. O filhote grita e solta Carlos enquanto seu sangue se mistura com o de sua vítima.
A fêmea vê o sangue escorrer de seu filhote enquanto o jovem nada até a superfície.
- Carlos! Grita Amélia desesperada. Carlos, cadê você?
Bia se aproxima de sua amiga e leva um susto ao ver a mancha de sangue.
- Meu Deus!
- Carlos! Oh, meu Deus, o que será que aconteceu com ele?
- Amélia, calma! A gente vai encontrar o Carlos! Eu não sei o que aconteceu mas...
Súbito, Bia vê uma barbatana afundar na água.
- Meu Deus, Amélia! Vamos sair daqui agora!
- Mas e o Carlos, Bia?!
- Amélia, esquece o Carlos! Tem tubarões aqui!
- Nãooo...
- Amélia, eu lamento...
- Iahhahahah...
Carlos surge do lado de Amélia sem a mão esquerda e com o sangue escorrendo do braço.
- Ahhh... Amélia grita apavorada.
Enquanto isso, no fundo do mar, a fêmea constata que seu filhote morreu. A vingança contra o humano que o matou a enche de ódio. Ela impulsiona seu corpo para o alto em direção a Carlos.
- Carlos... Meu Deus! Diz Amélia chorando.
- Ai! Aiiiii.... Ai.... Carlos grita em desespero enquanto nada para longe da mancha.
Bia também começa a chorar.
- Carlos... Vamos embora! Diz Amélia enquanto acompanha Carlos.
- Temos de sair daqui! Temos de sair daqui! Bia acompanha seus amigos soluçando.
A fêmea tenta morder a perna de Carlos mas acaba acertando Amélia.
- Aiiii.... Grita a jovem enquanto afunda na água.
- Amélia! Grita Carlos.
- Amélia, não! Grita Bia.
- Amélia!
- Carlos, vamos embora!
- Nãooo...
Ele mergulha e vê a fêmea devorar as pernas de sua amada puxando-a para dentro de si. Ainda armado com o caco de vidro, Carlos tenta acertá-la, mas a fêmea o vê antes e consegue surpreedê-lo soltando Amélia. Sem as pernas, a jovem tenta nadar só com os braços até a superfície. No entanto, enfraquecida pelo excesso de perda de sangue, Amélia desmaia.
Na superfície, o tubarão macho surpreende Bia abrindo a boca para ela.
- Ahh... A jovem grita em desespero.
- Não!
Eduardo lança sua prancha contra a boca do tubarão. O cabeça-chata começa a devorá-la enquanto o surfista leva sua amada para longe dali.
Debaixo d`água, Carlos corta a cara da fêmea com o caco. O animal, mais forte que seu filhote, resiste aos golpes e ataca o jovem mordendo novamente seu braço esquerdo. Carlos grita de dor e de desespero enquanto seu corpo é puxado para dentro da fêmea. Mas seu sofrimento dura pouco. O tubarão abre mais a boca, devorando a cabeça de Carlos e o resto de seu corpo.
- Vamos, Bia! Grita Eduardo. O "Touro" já deve ter devorado minha prancha e com certeza está atrás de nós!
- Oh, Dudu! Diz Bia chorando. O Carlos e a Amélia... Eles...
- Eu sei! Também estou triste por eles! Mas não é hora prá isso agora, Bia! Temos de chegar até a praia antes que seja tarde demais!
- Buááá... Buááá´... Snif! Snif!
- Oh, Bia...
De repente, o corpo de Amélia aparece de bruços boiando.
- Ahhhh.... Grita Bia se agarrando a Eduardo ao ver o corpo da amiga sem as duas pernas. Meu Deus, Dudu! É a Amélia!
Paralelamente a isso, no fundo do mar, a fêmea termina de devorar Carlos. Após saciar sua vingança, a fome começa a tomar conta de seu corpo. Seguindo o rastro de sangue de Amélia, o animal nada com rapidez em direção ao corpo de sua vítima.
- Bia, vamos embora daqui!
- Não, Dudu, a Amélia ainda pode esta viva!
- Bia, tá na cara que ela está morta!
- Não! Não pode ser! Amélia!
- Bia!
A jovem, movida pela compaixão, vai até o corpo da amiga e o vira.
- Oh, meu Deus! Amélia, não!
Bia constata que o corpo sem as duas pernas de sua amiga não mais respira. Inesperadamente, a fêmea emerge das águas e ataca o cadáver de Amélia devorando-o.
- Ahhh... Grita Bia em desespero.
- Bia, vamos embora daqui!
Eduardo pega sua amada pelo braço e os dois nadam tentando atingir a praia. Nisso, a fêmea devora o braço direito e a barriga de Amélia.
- Anda, Bia! Vamos!
A fêmea devora os peitos de Amélia e avança para o pescoço desta.
- Meu Deus! Buáááá´... Snif! Snif!
A fêmea devora quase todo o corpo de Amélia. Só sobrou o braço esquerdo. O animal, no entanto, não liga para o membro pois ele tem pouca carne. Mas, ao ver Bia, percebe que esta tem mais carne. Então, nada até a garota e seu namorado.
- Ai!
- Bia, que foi?!
- Ai, Dudu! Meu pé!
- Meu Deus! Bia, não!
Eduardo pega perna direita de Bia e vê que sua amada cortou o pé numa garrafa quebrada escondida no fundo do mar. O sangue da garota atrai ainda mais a fêmea que, rapidamente alcança os dois jovens. O tubarão emerge de boca aberta assustando Eduardo e Bia.
- Ahhh... A garota grita.
- Não!
Eduardo solta a perna de Bia e o tubarão acaba mordendo seu braço esquerdo.
- Aiii...
- Eduardo, nãooo...
Em meio ao desespero, num relance, Bia vê as marcas que Carlos deixou na fêmea com o caco de vidro! Percebendo que há um corte mais profundo no animal, a jovem pega sua prancha e atinge a ponta desta no ferimento.
- Bluaaarrr.... O tubarão grita soltando Eduardo.
Bia abre ainda mais o ferimento da fera que, sentindo dor, se afasta dos dois jovens. A garota pega Eduardo pelo pescoço e nada tentando atingir a areia. O tubarão macho, que ficou faminto depois de ter comido a prancha do amado de Bia, segue o rastro de sua fêmea e, ao vê-la, começa a atacá-la devorando-a.
- Ai! Ai! Eduardo geme de dor.
- Calma, Dudu! Calma, meu amor, a gente já está chegando! Calma!
Os dois finalmente chegam na areia. Bia coloca o corpo de seu amado sobre a areia e vê que parte do braço esquerdo de Eduardo foi devorada pela fêmea.
- Oh, meu Deus! A jovem fala soluçando.
- Oh, não! Grita Eduardo ao ver o buraco em seu braço. Não! Não! Nãoooo...
Os dois jovens choram em desespero, vítimas da corrupção.

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