A ESTRELA DA MORTE
( POR: RONALDO DE OLIVEIRA COSTA)
A criança é algemada pelas mãos e pelos pés na mesa de cirurgia. A menina berra de medo.
- Não me machuquem!
Grita ela sentindo o bisturi perfurar sua barriga.
- Por favor, parem! Ai! Aiii... Não! Mamãe! Papai! Mamãe! Papai! Aiii...
Os três cirurgiões abrem o corpo da criança e começam a arrancar os órgãos de dentro dele. Súbito, um deles sente algo perfurar sua mão direita e tenta tirá-la de dentro do corpo da menina. Ele tenta tirar a mão, mas não consegue. Então, começa a gritar:
- Ai! Alguém me ajude! Ai! Ai! Aiii...
- O que aconteceu? Pergunta um dos colegas do cirurgião.
- Não sei. Ia tirar o fígado, mas alguma coisa... ai... Não! Não! Nãooo... Aiii...O cirurgião sente algo dentro do corpo da criança mastigar sua mão. Os outros tentam ajudá-lo e puxam seu corpo para trás. A menina, sangue escorrendo pelo nariz e pela boca, não mais respirava. Quando os cirurgiões finalmente conseguem puxar o colega, o braço direito é arrancado do corpo.
- Iahh... Berra o cirurgião pulando de tanta dor enquanto sangue escorre do lugar onde estava seu braço.
- Meu Deus! Fala o outro cirurgião.
- Mas o que será que aconteceu?! Pergunta o terceiro.
É nessa hora que os dois cirurgiões escutam um urro terrível oriundo do corpo da criança. Eles se viram na direção da menina e vêem um ser amarelo, careca, com dentes e garras afiados, devorar o braço de seu colega. O nosferato amarelo se encontrava ainda dentro do cadáver da menina. Quando ele termina de devorar o braço do cirurgião, o monstro se vira na direção dos outros dois médicos. Asas nascem de suas costas e ele berra ao senti-las. Os dois cirurgiões correm. Mas aí, o nosferato amarelo voa na direção de um deles, o agarra pela cabeça e começa a morder seu pescoço sugando-lhe o sangue. O cirurgião sem o braço vê a cena e abre a porta do depósito.
- Me ajudem! Ele grita aos dois seguranças que montavam guarda no depósito.
- Meu Deus! Diz um dos seguranças ao ver o cirurgião sem o braço.
- Iahh...
Os dois seguranças e o cirurgião sem o braço escutam os berros do terceiro médico e ficam apavorados.
- Fique aqui, doutor, que nós vamos ver o que está acontecendo lá dentro! Diz um dos seguranças enquanto ele e o colega entram no depósito de armas em punho.
- Está bem! Está bem!
O cirurgião sem o braço cai. A excessiva perda de sangue enfraqueceu seu corpo e o médico desmaiou.
***
Dentro do depósito, os dois seguranças caminham na mais profunda escuridão. Eles passeiam por corredores repletos de cilindros com órgãos humanos dentro. Fígados, estômagos, pâncreas, corações. Toda aquela mercadoria tinha sido arrancada dos corpos de pessoas pobres e ia ser vendida às pessoas ricas. A polícia e a Justiça nada fazem contra os criminosos. Afinal, estes eram contratados por pessoas poderosíssimas ao passo que suas vítimas eram sempre pessoas humildes. E quem é que se importa com os pobres no Brasil, não é mesmo?
Os dois seguranças chegam até a mesa de cirurgia, onde o corpo da criança se encontrava todo aberto. Eles não se impressionam e nem se importam com a cena pois já a tinham assistido milhares de vezes. Os dois seguranças passam pelo cadáver da menina sem perceberem a criança abrir seus olhos negros. Então, a menina renasce com dentes e unhas afiados. Ela ataca um dos seguranças abocanhando-lhe o pescoço.
- Aiii...
O outro segurança fica petrificado de pavor. A menina sugava o sangue do guarda enquanto seu fígado e seus rins caíam no chão do depósito. O corpo do segurança cai morto e a menina se vira para o colega deste.
- Eu... Eu... quero... seu... coração!
- Nãooo...
O segurança berra atirando contra a menina. A força dos tiros é tão grande que os braços da criança caem. O corpo fica todo perfurado de balas. Mas, a menina continua andando na direção do segurança. Este caminha para trás tentando se afastar da criatura. Mas não consegue. A menina chega próxima ao segurança.
- O que você quer? O que você quer? O que você quer?A pergunta apavorada do segurança muda de sentido quando as balas do revólver acabam:
- O que você é?
A menina, sangue escorrendo pela garganta, olha profundamente nos olhos do segurança.
- Eu... sou... Eu... sou...
Alguns segundos se passam enquanto a menina geme as palavras acima. Até que dois braços amarelos saem da barriga aberta da criança e, com garras, perfuram o peito do segurança.
- Aiii...
- O Conquistador! Berra o nosferato amarelo saindo do corpo da menina, que cai para trás.
- Nãooo...
O segurança berra de dor quando O Conquistador arranca seu coração e devora este. É quando o nosferato vê o cirurgião sem o braço encostado à porta do depósito. O Conquistador voa na direção do médico. Este tenta fechar rapidamente a porta. Quando consegue, sente as batidas da criatura na porta e treme de medo. Com apenas um braço, o cirurgião tenta tirar um celular do bolso e discar um número. As batidas contra a porta aumentam.
- Anda! Fala o cirurgião tentando discar o número enquanto usa o corpo para manter a porta trancada. Atende! Atende! Atende!
É quando braços amarelos com garras atravessam a porta e agarram o cirurgião. O celular cai. O cirurgião ainda luta para tentar alcançar o telefone e consegue esticar o corpo. Mas aí, a cabeça do Conquistador atravessa a porta. E, pelo buraco que a criatura fez nesta, o corpo todo do Conquistador sai do depósito e cai sobre o cirurgião mordendo o pescoço deste.
- Aiii... Grita o médico sentindo o resto de seu sangue fluir para o corpo do Conquistador.
- Não! Berra O Conquistador largando o cadáver do médico enquanto os raios do sol queimavam seu corpo. Não pode! Não quero! Não quero! Nãooo...
E os raios amarelos do sol derretem o corpo da criatura. Tudo o que restou do Conquistador foi uma poça de ácido incandescente.
***
EPÍLOGO:
Cidade de Deus. Um ano atrás.
- Olha lá, Rodrigo! Grita a menina apontando para um ponto luminoso que caía do céu. Uma estrela tá caindo! E em plena luz do dia!
- Vamos lá ver, Amanda!
Amanda e Rodrigo correm até o lugar onde a estrela tinha caído. As duas crianças se apressam em assistir a estrela caída como se apostassem corrida. Coisas de crianças que, mesmo sendo pobres, ainda acreditam na maravilha que é a vida. Amanda chega antes de Rodrigo num rio onde o esgoto corria a céu aberto.
- Iahh... Grita O Conquistador sentindo os raios do sol queimarem seu corpo.
- Meu Deus do Céu! Berra Amanda, assustada com o aspecto horripilante da criatura.
O Conquistador olha para Amanda. E percebe que esta é a sua última esperança de sobrevivência. Ele encolhe o corpo diminuindo de tamanho até se transformar em fumaça. Esta entra pela boca, ouvidos e narinas de Amanda. O cheiro forte da fumaça faz a menina desmaiar. Rodrigo chegara ao rio e, ao ver Amanda desmaiada, chamou os pais da menina. Os dois levaram a criança para o hospital. Os médicos cuidaram de Amanda e disseram que ela sofreu uma pequena intoxicação, que não era muito grave.
Eles não sabiam que Amanda tinha sido possuída por um monstro, por uma criatura que já tinha dizimado planetas. Mundos onde o sol vermelho não enfraquecia O Conquistador. Por isso, a Liga Galáctica resolveu exilar a criatura na Terra. O planeta onde o efeito estufa destrói a camada de ozônio. E o calor dos raios amarelos do sol pode destruir até o mais poderoso dos seres.
FIM

1 Comments:
Será que esse Ronaldo de Oliveria Costa, autor que acabo de ler é o mesmo que conheço de Realengo?????
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